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Por que o trânsito melhora quando se diminui o limite de velocidade das avenidas?

Não faz sentido, né? Mas tem uma explicação do mundo da física. Entenda a lógica com dois punhados de arroz.

Por Karin Hueck
Atualizado em 4 nov 2016, 18h50 - Publicado em 3 set 2015, 20h30

 

Quando a prefeitura de São Paulo resolveu baixar o limite de velocidade das Marginais de 90 km/h para 70 km/h (nas vias expressas) e de 70 km/h para 50km/h (nas vias locais), muita gente chiou.

Mas logo os resultados da CET mostraram o improvável: o trânsito nas avenidas melhorou (e o número de vítimas fatais – outro argumento apresentado a favor da redução – caiu).

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Resta a dúvida: como que carros mais lentos que zebras podem ter diminuído os índices de trânsito?

Para explicar, o ex-secretário dos transportes de Washington, Doug McDonald, resolveu fazer uma metáfora simples: usar grãos de arroz passando por um funil. Olha o que acontece quando não há limites para a velocidade, e todos os grãos de arroz correm para atravessar o funil.

 

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(Dica: o funil são as avenidas e o arroz, os motoristas.)

Agora, se a velocidade de passagem pelo funil é limitada (e mais lenta), todo o arroz consegue passar facilmente pelo espaço apertado. Todos os grãos chegam felizinhos (e antes) ao chão do que os que saíram correndo.

Essa lógica se aplica em avenidas que operam em capacidade máxima de carros – como é o caso das Marginais em São Paulo. Quando o fluxo de veículos é muito alto, não adianta todo mundo sair correndo. Boa parte disso tem a ver com a distância que os carros mantêm entre si em movimento. Quando a velocidade é alta, o veículo de trás precisa manter muito mais distância do veículo da frente do que quando a velocidade é mais baixa – o que diminui a capacidade da avenida. De acordo com um estudo do Departamento de Planejamento de Cidades de Helsinki, passam muito mais carros por hora quando a velocidade está a 35 km/h do que a 60 km/h, por exemplo. 

Ou seja, no trânsito é melhor seguir devagar e sempre do que rápido e de vez em quando.

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