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Trabalho e paixão

A brincadeira que a gente faz na redação é que 1976 mudou a história da divulgação da ciência.

Afinal, naquele ano duas coisas fundamentais aconteceram: Richard Dawkins escreveu o clássico O Gene Egoísta e nosso redator-chefe Alexandre Versignassi, mestre dos textos deliciosos sobre física quântica e outras complicações, veio ao mundo.

 Mas, falando sério: para o Versi, o Dawkins é tipo Deus. ”Não só ele é o meu maior ídolo. Ele é também ídolo de todos os meus outros ídolos”, diz. Não estranhe portanto que a entrevista que Versi fez com o biólogo evolucionista britânico comece com uma gaguejada. Em quase uma década, Versi já escreveu e editou muita coisa importante aqui nesta SUPER, sobre ciência hard e sobre economia (outra área que ele domina), mas esta reportagem foi especial para ele.

Assim como a reportagem de capa desta edição foi especial para nossa editora Karin Hueck, que comandou um time afiado de repórteres numa missão complicadíssima: quebrar o silêncio sobre o estupro, um dos crimes mais comuns do mundo, e também o mais acobertado.

Karin é profissional de primeira. Editora cuidadosa, precisa, atenta aos detalhes, ela já lidou com uns mil temas diferentes, da sexualidade das plantas à ladroagem dos políticos. Mas, para ela, nunca nenhum assunto foi tão importante quanto o deste mês.

Há alguns anos, Karin notou os mecanismos invisíveis que nossa sociedade criou para manter as mulheres ”no seu devido lugar”. Desde então, ela se interessa pelas questões de gênero e toca projetos que lidam com o assunto. Por exemplo, foi ela que fez a pesquisa ”Chega de Fiu-Fiu”, que causou polêmica anos atrás revelando algo que muitos homens nem imaginavam – que cantar mulheres é muitas vezes uma violência. Pois finalmente chegou a hora de enfrentar a maior das violências sexuais – e na capa da SUPER.

Karin e Versi, como todo mundo aqui, ralam todo mês. Não é incomum ver o Versi arrancando cabelos em frente ao computador, tentando resolver um texto, editar um livro ou dar jeito numa edição especial. Tampouco é raro ver a Karin chegando com olheiras profundas depois de passar a noite em claro preocupando-se com o trabalho.

O combustível dessa ralação toda é a paixão que eles têm pelo que fazem. Os dois encontram sentido fazendo a SUPER. E, quando o trabalho faz sentido, até as coisas mais difíceis ficam fáceis.