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“Tratemos então de ensinar a generosidade e o altruísmo, porque nascemos egoístas”, Dawkins

Dawkins não é e nem pretende ser filósofo. Mas, em 1976, quando era um biólogo ainda pouco conhecido, publicou O Gene Egoísta, e ajudou a redefinir a percepção sobre quem somos — uma tarefa que sempre coube aos filósofos. No livro, defende que não somos muito mais do que robôs comandados pelos genes para sobreviver a qualquer custo. E o que faz um gene prosperar em um ambiente altamente competitivo é seu egoísmo implacável. Apesar da visão desencantada, a obra se tornou um dos maiores best-sellers da ciência, e Dawkins, uma notoriedade. Mesmo sem querer, se colocou ao lado dos pensadores que ajudaram o homem a compreender melhor seu papel no planeta. Sua sacada foi perceber que o processo de evolução das espécies ocorre no nível genético (o gene é sua unidade fundamental ou multiplicador) e que a visão darwinista também pode ser útil para compreender o progresso cultural. Dawkins cunhou o termo meme, que seria um equivalente comportamental do gene, para levar a visão evolucionista para fora da biologia. O conceito deu origem à memética, que inspirou filosófos como Daniel Dennett. O cientista também é ateu declarado, autor de Deus, um Delírio.