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Como é a hierarquia dentro da maçonaria?

Entenda as subdivisões e adaptações da ordem secreta ao longo do tempo

Por Bruno Lazaretti Atualizado em 4 jul 2018, 20h13 - Publicado em 15 jul 2016, 13h23
maçonaria piramide

ILUSTRAS André Toma

Como você pode conferir nesta parte da reportagem, a maçonaria teve subdivisões e adaptações ao longo do tempo. Hoje, ela tem uma base comum, mas que depois evolui para mais de 50 hierarquias diferentes (os chamados Ritos). Só dois são mais relevantes: o de York e o Escocês. Há ainda os “órgãos-apêndices”: organizações oficiais que são extensões (como os Ritos), mas mais curtas e mais recentes.

A maioria das vertentes usa uma estrutura hierárquica inicial chamada de maçonaria azul. São os três primeiros degraus, que remetem aos operativos do Templo de Salomão: Aprendiz, Companheiro e Mestre. A duração de cada etapa varia muito de acordo com a jurisdição de cada Loja, mas raramente é menor que três meses ou maior que três anos.

Depois disso, ela pode avançar ainda mais nas hierarquias específicas do Rito de York ou do Rito Escocês, e ainda participar de alguns dos “órgãos-apêndices”. Mas nenhum deles é obrigatório

A versão inglesa

A metade esquerda da escada na ilustração acima descreve o Rito Escocês, praticado por cerca de 12% dos maçons. Essa vertente, bastante popular no Reino Unido, só não é mais antiga que a maçonaria azul. Acima do grau de Mestre, há mais 30 estágios diferentes. Seus nomes e suas subdivisões podem mudar em diferentes países e jurisdições, mas são sempre 33 graus. O último exige um “serviço excepcional” para ser alcançado. Não basta só estudar.

NÍVEIS DO RITO ESCOCÊS:

Maçonaria azul

1: Aprendiz

2: Companheiro

3: Mestre

Graus inefáveis

4: Mestre secreto

5: Mestre perfeito

6: Secretário íntimo

7: Preboste e juiz

8: Intendente dos edifícios

9: Mestre eleito dos 9

10: Mestre eleito dos 12

11: Mestre eleito dos 15

12: Grão-mestre arquiteto

13: Mestre do nono arco

14: Grão-eleito perfeito e sublime

Capítulos vermelhos

15: Cavaleiro do Oriente

16: Príncipe de Jerusalém

17: Cavaleiro do Ocidente e do Oriente

18: Cavaleiro Rosacruz

Aerópagos

19: Grão-pontífice

20: Mestre Ad Vitam

21: Patriarca noaquita

22: Príncipe do Líbano

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23: Chefe do tabernáculo

24: Príncipe do tabernáculo

25: Cavaleiro da serpente de bronze

26: Príncipe da mercê

27: Comendador do templo

28: Cavaleiro do Sol

29: Cavaleio de Santo André

30: Cavaleiro Kadosh

Graus administrativos

31: Grão-inspetor inquisidor comendado

32: Sublime príncipe do real segredo

33: Soberano grão-inspetor geral

A versão ianque

Na escada direita está o Rito de York, variante surgida nos EUA, em 1799, e atualmente predominante. É uma escada bem mais curta, com apenas dez níveis adicionais acima do de Mestre.

O sétimo grau é basicamente a mesma coisa que o Sagrado Arco Real, um rito que funciona por si só (veja abaixo). Ele é um órgão-apêndice bastante antigo, surgido com as primeiras Grandes Lojas no século 18. Praticamente já é considerado obrigatório no Rito de York e muito recomendado nos outros. Isso porque, nessa fase, desenvolve-se a espiritualidade do Mestre. Metaforicamente, ele retorna às ruínas do Templo de Salomão para reerguer outro templo.

NÍVEIS DO RITO DE YORK:

Maçonaria azul

1: Aprendiz

2: Companheiro

3: Mestre

Capítulo do arco real

4: Mestre da marca

5: Mestre virtual

6: Mui excelente mestre

7: Maçom do arco real

8: Mestre real

9: Mestre eleito

10: Mestre superexcelente

Conselho críptico (ou de mestres reais e eleitos)

11: Ordem da Cruz Vermelha

12: Ordem dos Cavaleiros de Malta

13: Ordem dos Cavaleiros Templários

ALGUNS DOS ÓRGÃOS-APÊNDICES

maçonaria outros

Shriners

É uma espécie de “subgrupo” criado em 1870 por um ator e um médico de Nova York. Conhecido por construir e manter hospitais pediátricos, seus membros costumam usar um fez (um chapéu plano, típico do Oriente Médio) vermelho. Mulheres acima de 18 anos relacionadas aos Shriners podem participar de outros dois apêndices maçônicos: o Ladies’ Oriental Shrine e o Filhas do Nilo

Ordem da Estrela do Leste

Criado em 1850, em Mississippi, nos EUA, é um dos poucos apêndices que aceitam o sexo feminino. Originalmente, só mulheres ligadas a Mestres (filhas, esposas, mães etc.). Mas depois passou a acolher também integrantes dos grupos Filhas de Jó e Ordem do Arco-Íris (ambos presentes no Brasil), que aceitam jovens entre 10 e 20 anos

Cavaleiros DeMolay

A maioria dos apêndices são voltados para Mestres. Este é uma exceção. Ele recebe gente de fora da ordem, de 12 a 21 anos, e se consolidou como um tipo de “escola preparatória” para quem quer virar maçom. Criado nos EUA, em 1919, ganhou o mundo. Hoje, o Brasil já tem mais DeMolays que os EUA. Interessados podem se inscrever em demolay.org.br

FONTESLivrosEncyclopedia of Freemasoney and Its Kindred ScienceseThe Symbolism of Freemasonry, de Albert G. Mackey;O Livro Secreto daMaçonaria, de Otavio Cohen;Born in Blood – The Lost Secrets of Freemasonry, de John Robinson;Three Distinct Knocks, autor anônimo;Masonry Dissected, de Samuel Prichard;The Brotherhood, de Stephen Knight;Morgan’s Exposure of Free Masonry, de William Morgan;Manual of Freemasonry, de Richard Carlile;Duncan’s Masoic Ritual and Monitor, de Malcom C. Duncan;Low Twelve: By Their Deeds Ye Shall Know Them, de Edward S. Ellis;Pamphlets on Freemasons’ Rituals and Practice in Brazil, da Universidade de Princeton; e General Ahiman Rezon, de Daniel Sickels. ArtigosMaçonaria: História e Historiografia, de Celia M. Marinho de Azevedo; eThe Third Degree Tracing Board, de Terry Spalding-Martin. E sitesThe New York Times,Former Masons,Hermetic,freemasonry.bcy.caefreemasons-freemasonry.com

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