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Como é o lançamento de um foguete?

O foguete é impulsionado por módulos que vão se soltando conforme ele sobe

Lançar um foguete significa ligar uma fogueira superpotente, capaz de impulsioná-lo ao espaço até atingir uma altitude predeterminada e, chegando lá, colocar um satélite ou uma sonda de pesquisa em órbita. A viagem não é tão longa: as órbitas mais baixas estão a apenas 200 km de altura. Daria para chegar lá em duas horas de carro – não fosse, claro, por um detalhe: a gravidade, a força que o planeta exerce sobre objetos que queiram deixá-lo, algo como um poderoso puxão para baixo. Como não dá para pegar uma estrada, o jeito é gastar uns US$ 10 milhões para montar um foguete. Toda essa grana é queimada em no máximo nove minutos, tempo decorrido entre o lançamento na base e a colocação do satélite em órbita. Mas, nesse caso, parece que torrar dinheiro vale a pena. Todo ano, centenas de foguetes são lançados ao espaço com missões variadas, num mercado que movimenta pelo menos US$ 25 bilhões por ano. O Brasil fez o seu foguete, o Veículo Lançador de Satélites (VLS), para pegar uma fatia desse mercado.

PEÇA A PEÇA

Quatro estágios propulsores fazem o foguete vencer a gravidade

 (Alexandre Jubran/Mundo Estranho)

LENHA NA FOGUEIRA

Subida depende da queima de combustíveis sólidos ou líquidos

 (Alexandre Jubran/Mundo Estranho)

COMBUSTÍVEL LÍQUIDO – Para gerar os gases que empurram o foguete, são necessárias duas substâncias: o combustível e o comburente. Quando são líquidas, elas ficam em tanques separados e só se encontram numa câmara especial, com uma abertura para a saída do jato

COMBUSTÍVEL SÓLIDO – O combustível e o comburente também podem ser sólidos – nesse caso, eles ficam juntos no mesmo tanque. Eles só não acendem antes da hora porque para isso é preciso uma centelha, disparada na hora de ligar o motor. Este é o modelo usado pelo VLS brasileiro

UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO

Nada de peso inútil: cada estágio vira lixo no final de seu trabalho

 (Alexandre Jubran/Mundo Estranho)

1. O primeiro passo do lançamento é acender a “fogueira” que impulsiona o foguete. Isso é feito com a ajuda de um ignitor, disparado por um sinal elétrico a partir do centro de controle. O ignitor funciona como um pavio que percorre o interior do tanque e inicia a queima do combustível

2. O primeiro estágio propulsor do foguete funciona durante os 60 segundos iniciais de vôo. Ao final desse tempo, ele atinge cerca de 30 km de altitude, a uma velocidade de 6 mil km/h. Quando ele se esvazia, um sistema eletrônico solta os quatro motores do estágio, que caem no mar reduzindo o peso do conjunto

3. O segundo estágio começa a funcionar nos últimos cinco segundos de ação do primeiro e também queima por 60 segundos. Dois minutos após o lançamento, o VLS já está a 100 km de altitude, a quase 10 mil km/h. A essa altura, o 2º estágio é solto e cai

4. O terceiro estágio queima por mais 60 segundos e se apaga, com três minutos de operação, a 230 km de altitude e 5 mil km/h. Sem motores, a velocidade do foguete diminui por causa da gravidade. Mas ele continua subindo, porque a resistência do ar já é pequena para freá-lo

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5. O foguete fica apagado por seis a dez minutos, tempo necessário para o computador de bordo do módulo de controle fazer o basculamento. Essa manobra, feita com ajuda de minipropulsores de gás comprimido, libera o satélite e deixa o foguete de lado em relação à Terra, ideal para entrar em órbita

6. O quarto estágio é ligado quando o foguete está perto dos 750 km de altitude, área em que o satélite vai funcionar. O motor queima por 60 segundos e acelera até 27 mil km/h, velocidade necessária para entrar em órbita nessa altitude

7. Se a carga do VLS for uma sonda de pesquisa em vez de um satélite, ela fica um tempo em órbita e cai no momento e local programados, boiando e soltando uma tinta laranja. A queda é amortecida por um pára-quedas e o resgate é facilitado por um aparelho de GPS