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Como é o tráfico de madeira na fronteira Brasil-Peru?

Criminosos usam correntezas do rio para transportar toras

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Com a derrubada ilegal de árvores cujos troncos são escoados por rio até os locais onde são cortados e vendidos. De acordo com estudiosos, o Peru explora madeira desde o início do século 20, mas foi durante a década de 1960, depois da queda da produção de borracha, que o país despontou como um dos grandes exploradores de madeira do mundo – posto que continua ocupando até os dias de hoje. A extração foi tanta que, nas últimas décadas, a atividade madeireira se expandiu para as regiões amazônicas (inclusive dentro do território brasileiro), buscando novas terras ainda inexploradas e ricas em madeira. Segundo um relatório do Banco Mundial feito em 2006, 80% da madeira peruana é extraída ilegalmente e gera entre US$ 44 milhões e US$ 72 milhões anualmente.

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1. Na época da seca, que começa em julho, os madeireiros escolhem pontos no meio da selva que sejam ricos em madeira de lei (que só pode ser extraída com permissão do governo)e montam um acampamento ilegal. Os madeireiros vivem nesse acampamento por meses, derrubando as árvores

2. O tronco da árvore é dividido em toras de 4 m de comprimento cada uma. As toras são transportadas por uma trilha até um igarapé (pequeno braço do rio principal), que nessa época está seco pela falta de chuvas. Depois de meses de trabalho, centenas de toras se acumulam ao longo desse igarapé seco

3. Em novembro, o período das chuvas começa. Com isso, o volume de água aumenta e os igarapés enchem. A madeira boia e segue a correnteza, desembocando próximo ao rio Javari, que faz a fronteira natural entre Brasil e Peru. Lá, as toras são amarradas e formam uma balsa

4. No final da época das chuvas, entre março e maio, o chefe madeireiro desce o Javari recolhendo e anexando as toras de todos os acampamentos de que cuida. Sua grande balsa de madeira segue a correnteza do rio até a tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia

5. O comboio de madeira desce o rio até chegar em Islândia, comunidade peruana onde ficam as serralherias. Como a madeira é ilegal, ela tem que ser “lavada” – ou seja, ter a documentação falsificada. Depois, é vendida no Peru, Brasil e Colômbia, além de ser exportada para a Europa, EUA e Ásia

FONTES Relatórios The Laundering Machine: How Fraud and Corruption in Peru¿s Concession System Are Destroying the Future of Its Forests, da Environment Investigation Agency, Facing Reality: How to Halt the Import of Illegal Timber in the EU, do Greenpeace, e El Trabajo Forzoso en la Extracción de la Madera en la Amazonía Peruana, da Oficina Internacional del Trabajo

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