Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Como Nova Orleans vai ser reconstruída?

Por Marina motomura Atualizado em 4 jul 2018, 20h13 - Publicado em 18 abr 2011, 18h47

A cidade mais detonada pelo furacão Katrina será reerguida aos poucos. A primeira etapa, de drenagem das águas e limpeza, já começou e deve durar três meses. Mas o processo para que toda a cidade volte ao normal levará pelo menos dez anos! Cerca de 80% de Nova Orleans foi inundada com a passagem do Katrina. Construída em uma área em forma de bacia, que em alguns trechos fica a 60 centímetros abaixo do nível do mar, a cidade foi cercada de diques – todo mundo sabe que eles não resistiram à fúria da tempestade e abriram o caminho para o dilúvio. Para aumentar o drama, o furacão trouxe ventos devastadores de 240 km/h que arregaçaram o telhado de milhares de casas e derrubaram postes e árvores. O número de mortos não foi tão alarmante – outros furacões mataram muito mais, como você confere na tabela abaixo. A maior perda foi monetária: só com os prejuízos diretos, seriam cerca de 125 bilhões de dólares, segundo a empresa Risk Management Solutions, especialista em avaliar prejuízos de desastres para seguradoras e bancos. O governo de George W. Bush já anunciou verbas de 62,3 bilhões de dólares para recuperar a cidade e o governo do estado da Louisiana deve arcar com outra fatia dos custos. “Do prejuízo total, estima-se que 25% devem ser gastos em serviços de emergência e limpeza, 25% em reconstrução de infra-estrutura e 50% na reconstrução de casas e edifícios”, diz a arquiteta Mary Comerio, especialista em desastres da Universidade da Califórnia.

Furacões mais mortais

FURACÃO – 1. Paquistão Oriental (Bangladesh, 1970)

MORTOS – até 1 milhão

FURACÃO – 2. Coringa (Índia, 1839)

MORTOS – 300 mil

FURACÃO – 3. Haifong (Vietnã, 1881)

MORTOS – 300 mil

FURACÃO – 4. Bakarganj (Índia, 1876)

MORTOS – 215 mil

FURACÃO – Katrina (Estados Unidos, 2005)

MORTOS – 659*

*Número de mortos até a conclusão desta edição, em 14 de setembro

Fechada para obras
Suja, inundada e destruída, a cidade pode precisar de 10 anos para voltar ao normal

FÉRIAS FRUSTRADAS

A atmosfera festiva e musical de Nova Orleans atraía muitos turistas para a cidade. O Bairro Francês, terra natal do jazz e do blues, está praticamente intacto. Mas alguns especialistas acham que a catástrofe pode afastar os turistas mais temerosos

Continua após a publicidade

DANDO A LUZ

Para restabelecer a infra-estrutura, a primeira providência é recuperar a rede elétrica – postes e fios foram derrubados pelo Katrina. Depois, é hora de reconstruir o sistema de esgotos, de água potável, de gás e telefonia. Pode colocar mais 31 bilhões de dólares na conta do desastre

TRABALHO SUJO

Lixo, lama, gás, petróleo e outras cacas já estão sendo removidos da cidade. Durante os três meses de limpeza, só autoridades de saúde, operários e policiais estão autorizados a entrar em Nova Orleans. A água está sendo retirada por fendas feitas nos diques e por meio de bombas de sucção em 22 estações, a um custo de 31 bilhões de dólares

A TODO VAPOR

Bem preparadas para o desastre, as refinarias de petróleo são o setor que se recuperou com mais facilidade dos efeitos do Katrina. O porto da cidade também já está pronto pra outra e tem servido para trazer máquinas e pessoas para ajudar na reconstrução

A CASA CAIU

A maioria das casas destruídas pelo Katrina vai ter de ser reconstruída do zero. Os bairros que ficam abaixo do nível do mar devem ser inteiramente deslocados para outras áreas, num processo que pode levar de 10 a 15 anos e consumir 63 bilhões de dólares

NOVOS CAMINHOS

Algumas estradas e pontes da região estão completamente destruídas. Outras vias serão implodidas, pois ficaram muito tempo submersas e a água comprometeu as fundações. As ferrovias também estão bastante danificadas e precisam ser reformadas

ETERNO RETORNO

A especialista Mary Comerio estima que apenas um em cada três desabrigados devem voltar à cidade depois da reconstrução. O resto deve recomeçar a vida longe dali, com uma ajuda governamental temporária de 2 mil dólares para cada família de desabrigados

Continua após a publicidade
Publicidade