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O que significam e como jogar as runas nórdicas

Os povos nórdicos consideravam as runas um presente de Odin. Saiba como elas podem falar sobre seu passado, seu presente e seu futuro

Por Marcelo Testoni Atualizado em 14 fev 2020, 17h26 - Publicado em 17 abr 2018, 14h48

As runas surgiram como inscrições alfabéticas em torno do ano 150 pelas mãos dos antigos povos do norte da Europa. Na língua germânica, “runa” significa “segredos” ou “mistérios”. Esses povos, como os germânicos e os vikings, as esculpiam em ossos, metais ou madeira e as utilizavam em jogos de adivinhação para escrever poemas e até mesmo como amuletos de proteção. As runas eram o único alfabeto dos povos nórdicos – no entanto, elas nunca evoluíram para algo como uma escrita ideogramática.

De acordo com a mitologia nórdica, as runas foram um presente do deus Odin. Ele as teria conquistado enquanto buscava iluminação pendurado na Yggdrasil, a árvore da vida. Após nove dias e nove noites, os céus teriam atendido suas súplicas e se aberto, deixando as runas caírem em suas mãos. Com a popularização do cristianismo por volta do século 6, o jogo de runas ficou associado à bruxaria e foi substituído pelo alfabeto latino. Na Idade Média, as runas foram proibidas pela Inquisição, mas, com o Renascimento, se popularizaram entre os ciganos e os astrólogos.

AS RUNAS

O primeiro alfabeto rúnico (runemal) inventado foi o Futhark, com 24 peças divididas em três grupos de oito símbolos, cada qual com um significado (alguns com dois)

1º grupo – Realizações físicas

Gustavo Pitta/Mundo Estranho

1. Fehu – O gado – Simboliza riquezas materiais, sucesso e vitória. Invertido – Impasses e derrotas

2. Uruz – O touro bravo – Sorte, crescimento, perseverança e progresso. Invertido – Perdas e negativismo

3. Thurisaz – Os espinhos – Proteção divina e entusiasmo. Invertido – Decisões precipitadas, cautela

4. Ansuz – Palavras de Odin – Sabedoria, inspiração e ouvir bons conselhos. Invertido – Falta de comunicação, futilidade e esforço inútil

5. Raidho – A carruagem – Viagem, progresso em direção às metas. Invertido – Rompimentos, fracassos e caminhos desagradáveis

6. Kenaz – A tocha – Renovação, novos começos e iluminação. Invertido – Perda de prestígio social ou de posses, fim de ciclos

7. Gebo – O presente. União, equilíbrio e bons negócios. Invertido – Não tem posição invertida

8. Wunjo – A alegria – Bem-estar e evolução positiva. Invertido – Infelicidade, crises e perdas

2º grupo – Realizações emocionais

Gustavo Pitta/Mundo Estranho

9. Hagalaz – O granizo – Simboliza precauções, obstáculos e adiamento de planos. Invertido – Não tem posição invertida

10. Naudhiz – A necessidade – Limitações e cautela com planos. Invertido – autocontrole e serenidade

11. Isa – O gelo – Concentração, paciência e equilíbrio. Invertido – Não tem posição invertida

12. Jera – A colheita do ano – Recompensas, alegria e satisfação. Invertido – Não tem posição invertida

13. Eihwaz – O teixo – Proteção, final de um ciclo e recomeço. Invertido – Não tem posição invertida

14. Perdhro – Algo oculto – Ganhos inesperados, conhecimentos ocultos e espirituais. Invertido – Desapontamentos, atrasos e traições

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15. Sowelo – O Sol – Autoconhecimento, regeneração, sucesso e vitória. Invertido – Não tem posição invertida

16. Algiz – A proteção do alce – Viagem, novos caminhos, alegria e progresso. Invertido – Inquietação, vulnerabilidade e perigos

  • 3º grupo – Realizações espirituais

    Gustavo Pitta/Mundo Estranho

    17. Tiwaz – O deus Tyr – Simboliza vitórias, honra e justiça. Invertido – Problemas espirituais e desperdício de energia vital

    18. Berkana – O vidoeiro – Renovação. Invertido – Confusão, descrença, rompimentos e carências

    19. Ehwaz – O cavalo – Mudanças, progresso e lealdade. Invertido – Confiar e evitar agir

    20. Mannaz – O homem – Integridade, fé e clareza espiritual. Invertido – Falta de fé, bloqueios e inimigos ocultos

    21. Laguz – A água – Intuição e poderes psíquicos. Invertido – Pensamentos confusos, enganos e fracassos

    22. Inguz – A fertilidade – Realizações, nascimentos, amor e sexualidade. Invertido – Não tem posição invertida

    23. Dagaz – O dia – Prosperidade, transformações positivas. Invertido – Não tem posição invertida

    24. Othila – A herança – Sabedoria ancestral, domínio, notícias distantes. Invertido – Falta de clareza e certeza

    Como jogar em casa

    Jogo de uma runa

    Gustavo Pitta/Mundo Estranho

    Embaralhe um dos três grupos de oito runas dentro de um saco, de acordo com algum aspecto de sua vida que merece esclarecimento. Pense ou diga em voz alta o que deseja saber e depois retire aleatoriamente apenas uma peça. Mas atenção: puxe sempre no sentido vertical!

    Jogo de três runas

    Gustavo Pitta/Mundo Estranho

    1. Tendo uma pergunta em mente para cada aett, embaralhe um dos três grupos de oito runas dentro do saco e escolha três peças, uma de cada vez, e em seguida ordene-as da direita para a esquerda, por ordem de retirada e com o lado da inscrição para baixo

    Gustavo Pitta/Mundo Estranho

    2. Desvire uma por uma a partir da direita. A primeira runa dará pistas de sua atual situação ou do passado, a segunda um caminho a se tomar no presente e a terceira mostrará o que o futuro lhe reserva se seguir pela orientação dada

    Pergunta da leitora – Eliel Pereira da Silva, Vicência, PE

    FONTES Livros The Children of Odin: The Book of Northern Myths, de Padraic Colum, A Magia das Runas, de Ruth e Beatriz Adler, e Deuses e Mitos do Norte da Europa, de Hilda R. e Ellis Davidson

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