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Dá para dobrar uma folha de papel ao meio mais de 7 vezes?

Sim, dá. O problema é que você precisa usar uma folha de papel realmente anormal para conseguir.

Sim, dá. Essa lenda urbana ganhou força porque, para desmenti-la, é necessário usar uma folha de medidas que você não encontra por aí facilmente. Basicamente, o número de dobras possíveis depende do tamanho e da espessura do papel. “O problema é que a cada dobra a espessura duplica e a área cai pela metade. Portanto, para conseguir mais dobras precisa-se usar um papel muito fino ou extenso e, de preferência, bastante maleável”, diz o físico Cláudio Furukawa, da USP.

Foi justamente o que fez a estudante americana Britney Gallivan, que, depois de criar uma fórmula para calcular as medidas necessárias para um determinado número de dobras, decidiu botar a teoria em prática e, em 2002, atingiu a marca recorde de 12 dobras. Ela não revelou o tamanho exato do papel usado, mas, usando a fórmula, concluímos que ele tinha pelo menos 400 metros de comprimento. E isso porque ela usou um papel especial, bem fino.

A experiência foi difícil: ela teve que encontrar um espaço enorme e, mesmo contando com a ajuda dos pais, precisou de sete horas para atingir o objetivo.

Embora ela tenha provado matematicamente que o número de dobras possíveis é infinito, dificilmente alguém fará, na prática, 20, 30 ou 50 dobras. Um papel da grossura de uma folha de caderno, dobrado 50 vezes, alcançaria 110 milhões de quilômetros de espessura. Isso é quase a distância da Terra ao Sol (149 milhões de quilômetros).