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Brasileira cria curativo revolucionário. E feito de papel

A bandagem é simplesmente MIL vezes mais barata que as opções disponíveis no mercado.

Queimaduras, além de doerem um bocado, deixam a pele extremamente exposta a infecções. Para impedir qualquer problema, as melhores armas são curativos feitos de fibras de celulose, trançadas em escala nanométrica.

As finíssimas camadas de papel funcionam como uma peneira que nenhum germe atravessa. Mas esse supercurativo é caro e de fabricação lenta: depende do cultivo de bactérias especializadas em produzir nanocelulose.

A cientista Francine Claro, da Universidade Federal do Paraná, conseguiu facilitar a coisa – e extrair o material high tech direto da celulose convencional, a mesma que vem da árvore e faz papel sulfite. E, em parceria com a Embrapa, criou um curativo melhor e (muito) mais barato que o tradicional. Ela conversou com a SUPER sobre a técnica.

Qual é a principal vantagem do curativo?
O preço. Um quilo de celulose feita por bactérias custa US$ 1,5 mil. A usada por nós, extraída de vegetais, sai por US$ 1.

Se celulose vegetal é tão barata, por que não era usada antes?
A processo de produção de nanocelulose vegetal que nós usamos é muito recente.

Você pode explicar esse processo?
Começa com polpa de celulose branqueada, que é a mesma matéria-prima do papel comum. Ela passa por um processo de desfibrilação mecânica e vira nanocelulose. O resultado é um filme sem porosidade nenhuma, que não deixa passar nada.

Qual é a aparência do curativo?
Seco, parece o papel vegetal usado nas escolas para copiar mapas. Como é transparente, dá para avaliar o grau de cicatrização da pele sem trocar. E, quanto menos trocar, melhor.

Quando chega aos hospitais?
Já estão sendo feitos testes em animais e os resultados são melhores que os do curativo tradicional. Calculamos cerca de quatro anos.