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Retrato Falado: Thomas Quick, o serial killer mentiroso

O sueco confessou matar, estuprar e até comer suas vítimas. Mas guardava um grande segredo...

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ILUSTRAKlayton Luz

Thomas Quick, famoso seria killer sueco, confessou matar, estuprar e até comer suas vítimas. Ele só foi descoberto por causa de um assalto. Mas guardava um grande segredo…

1. Nascido em 26 de abril de 1950 em Korsnas, na Suécia, Sture Bergwall foi molestado pelo pai aos 4 anos em um acampamento. A mãe, grávida de 7 meses, assustou-se tanto com a cena que sofreu um aborto espontâneo ali mesmo. Bergwall assistiu ao pai cortar o cordão umbilical da criança e, nervoso, ferir também a cabeça do bebê.

2. No dia seguinte, o pai levou Bergwall para passear de bicicleta, com o corpo do irmão embrulhado em um jornal. A cova foi feita às margens do lago Runn. Culpando Bergwall pela tragédia, sua mãe tentou matá-lo duas vezes: jogando-o no lago e empurrando-o na frente de um ônibus.

3. Os traumas levaram o menino à crueldade. Seu primeiro crime foi matar um garoto de mesma idade, chamado Thomas. Ele adotou este nome a partir de então (Quick é sobrenome da mãe). Como era menor de idade e só confessou depois, o crime prescreveu. Ele não lembra onde enterrou o corpo

4. Em 1994, com a ajuda de um cúmplice, levou Charles Zelmanovits, de 15 anos, a um depósito. Obrigou o garoto a masturbá-los e, depois, o estrangulou. Quick o desmembrou, cobriu o corpo de musgos e folhas e guardou uma das pernas e pelo menos uma das mãos em casa. O cúmplice não aguentou o trauma e se suicidou.

5. Vários casos de desaparecimento e homicídio das décadas de 1970 e 1980 estão relacionados a Quick, entre eles o dos turistas alemães Marinus e Janny Stegehuis, mortos a facadas num camping, em 1984. O criminoso também cruzou fronteiras e atacou crianças e mulheres na Noruega – como Therese Johanssen, em 1988, e duas prostitutas.

6. Diferentemente de outros assassinos seriais, Quick não tinha um padrão. Mulheres com traços masculinos e garotinhas de cabelo curto também foram alvo. No total, foram 30 assassinatos. Entre os crimes: enforcamento, uso de arma branca (faca), tortura, evisceração, necrofilia e até canibalismo (do garoto Johan Asplund, de 11 anos).

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7. Depois de tanta violência, Quick resolveu fazer dinheiro rápido para alimentar seu vício em drogas. Em 1990, assaltou um banco vestido de Papai Noel. Identificado pelas vítimas, foi levado à prisão psiquiátrica, com sinais de desequilíbrio. Lá, decidiu revelar sua face assassina.

8. De 1991 a 2001, Quick contou às autoridades, a jornalistas e em seu blog todas as suas atrocidades. Escreveu um livro maluco, sucesso de vendas, em que mistura memórias, poemas e crítica musical (!). Algumas dessas revelações lhe renderam novas condenações. Em 2001, do nada, parou de cooperar com a polícia.

9. Em 2008, o documentarista Hannes Råstam quis entrevistá-lo. Perguntou se Quick estivera dopado durante as confissões, porque parecia atrapalhado e confuso. Surpreso, Quick contou que esteve todo o tempo sob o efeito de remédios pesados. E que não havia contado a verdade. A maior fraude da Justiça sueca estava para ser desmascarada.(O documentário de Råstam saiu em 2008. O jornalista transformou a história em livro, mas morreu de câncer em 2012, antes da publicação.)

10. Quick admitiu que podia sair do manicômio (na Suécia o criminoso-paciente vive num regime semiaberto). Na biblioteca, lia sobre jornais antigos e fazia anotações sobre homicídios não resolvidos – e aí dizia ser responsável por esses casos. Só se calou em 2001 porque um novo médico cortou suas drogas.

11. Sture Bergwall mentiu sobre tudo. Ele nunca matou ninguém. Seu pai nunca o molestou. A mãe nunca abortou. Os investigadores lhe davam o benefício da dúvida porque ele nunca se negava a colaborar e achavam natural que ele se mostrasse confuso. Repletos de falhas, os processos têm sido anulados um a um desde 2009. (Mas Bergwall cometeu alguns crimes reais: quatro estupros, pelos quais foi condenado, e uma tentativa de homicídio.)

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QUE FIM LEVOU?

Bergwall teve todas as acusações de homicídio anuladas e foi libertado da prisão. Em 2014, ele também passou a ser desobrigado de receber tratamento psiquiátrico, ao que declarou “estou completamente livre agora”. A enorme quantidade de erros do caso teve repercussão na mídia de todo o mundo.