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Afinal, o que é o coronavírus?

A doença surgiu na China, começou a se espalhar pelo mundo e está causando preocupação global. Entenda tudo o que se sabe sobre o novo vírus.

Por Bruno Carbinatto - Atualizado em 25 mar 2020, 11h59 - Publicado em 23 jan 2020, 16h50

Nos últimos dias, o noticiário internacional foi tomado por um assunto de caráter urgente: o surgimento de um novo e misterioso vírus na China capaz de causar pneumonia forte e até levar a morte.

O primeiro caso da doença foi relatado em 31 de dezembro em Wuhan, cidade do interior do país com mais de 11 milhões de habitantes. Cerca de três semanas depois, o vírus já se espalhou para pelo menos outros nove países, incluindo Coréia do Sul, Japão, Arábia Saudita e Estados Unidos.

No total, são mais de 600 casos confirmados e 17 mortes. Alguns outros países ainda estão observando suspeitas de casos. No Brasil, o Ministério da Saúde descartou recentemente cinco suspeitas de ocorrências do vírus. 

A rápida transmissão do vírus – apelidado de “coronavírus de Wuhan” – gerou preocupação global. Na China, três cidades foram colocadas em quarentena, impedindo efetivamente o deslocamento de 20 milhões de pessoas. Além disso, outros países estudam medidas de proteção, e estão se preparando para uma possível nova epidemia.

Mas, afinal, o que é esse coronavírus?

Uma nova ameaça

O termo “coronavírus” se refere, na verdade, a um grande grupo viral formado por diversos vírus já conhecidos e identificados. O nome da família se deve à forma desses organismos — sob microscópios, eles têm uma aparência que lembra a de uma coroa. 

Há vários representantes do grupo, e inúmeros podem infectar humanos e animais. A maioria, no entanto, causa sintomas leves de uma gripe, como tosse, coriza, dor de cabeça e de garganta, etc..

Alguns vírus do grupo, porém, podem levar a doenças respiratórias mais graves, como pneumonia e síndrome respiratória – e até levar á morte. É o caso do SARS, outro coronavírus que também surgiu na China e se espalhou pelo mundo em 2002, causando 774 mortes confirmadas. Em 2012, outra doença causada por um coronavírus foi relatada internacionalmente: a MERS, que se espalhou principalmente no Oriente Médio e matou mais de 800 pessoas.

O novo coronavírus de Wuhan – oficialmente chamado de 2019-nCoV – causa sintomas parecidos com os do SARS e do MERS, embora ainda não se saiba se sua origem (e contágio) sejam os mesmos. Geralmente, coronavírus são passados por contato direto entre humanos, por meio de tosse ou espirro. 

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Apesar de já ser demonstrado que o novo vírus passa de humanos para humanos, não está claro o quão fácil isso acontece. Mas o fato de 15 agentes de saúde terem sido infectados sugere que a transmissão pode ser mais perigosa do que se imaginava, uma vez que essas pessoas utilizam equipamentos e protocolos de higiene e proteção.

Como o novo vírus surgiu?

A origem do vírus também permanece incerta. Novos vírus surgem de mutações (geralmente em animais selvagens) e chegam aos humanos através do contato direto com esses bichos. Os patógenos de MERS e SARS, por exemplo, surgiram em morcegos, e tiveram como hospedeiros intermediários camelos e gatos-de-algália, respectivamente. 

O novo coronavírus provavelmente surgiu de uma feira de rua de frutos-do-mar em Wuhan, onde diversos animais foram vendidos, e várias pessoas que frequentaram o local acabaram infectadas. Os morcegos — que foram vendidos em forma de sopa na feira — são um dos principais suspeitos, mas um novo estudo que analisou o código genético do vírus indica que ele pode ter sido passado para humanos pelo contato com cobras asiáticas, cuja carne também foi vendida no dia. Esse tipo de cobra é conhecido por se alimentar de morcegos.

No entanto, como o vírus consegue se adaptar aos hospedeiros tanto de sangue frio e quanto quente ainda permanece um mistério.

É importante ressaltar que não há nenhuma vacina ou tratamento específico para infecções por coronavírus. Em geral, trata-se o sintoma, e o sistema imunológico do indivíduo é responsável por lutar contra a doença. Por essa razão, pessoas debilitadas, idosos e crianças são os grupos mais vulneráveis – e os que mais respondem pelas mortes do novo surto. 

Devemos nos preocupar?

Sim – mas não entrar em pânico. O novo vírus é claramente um problema de saúde pública, e a velocidade com que se espalhou levantou alerta do mundo todo, incluindo da Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas o órgão da ONU anunciou, na tarde do dia 23, que não classificaria o novo surto como “emergência de saúde global”. “Ainda não é o momento”, justificou Didier Houssin, líder do comitê de emergência da OMS. “É muito cedo para considerar este evento uma emergência de saúde pública de interesse internacional. ”

Um estudo de pesquisadores britânicos estimou, com base no tempo que a infecção levou para se espalhar, que o número de infectados pode ser de até quatro mil pessoas. Especialistas e organizações, porém, pedem cautela, e afirmam que ainda não é possível determinar o tamanho exato da crise. 

Os novos casos de coronavírus se assemelham bastante aos da SARS e MERS, que também geraram preocupação global. Os vírus foram combatidos por medidas de saúde pública, e hoje são consideradas doenças superadas.

No Brasil, as suspeitas existentes foram descartadas por não se enquadrarem nos critérios estabelecidos pela OMS. O brasileiro Jarbas Barbosa, sub-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), reforçou, em entrevista à revista VEJA, que a nova mutação do coronavírus ainda “não chegou” ao continente americano, apesar de um caso confirmado nos Estados Unidos de um homem que havia voltado de Wuhan. O caso foi considerado isolado e “importado”, não levando o vírus adiante desde que pisou em solo americano. 

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