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China quer vacinar 50 milhões de pessoas em menos de um mês

Em meio ao aumento de casos, país pretende imunizar 3,5% da sua população antes do ano novo chinês, dia 12 de fevereiro

Por Bruno Carbinatto 20 jan 2021, 17h25

Em um plano ambicioso e sem precedentes no mundo, a China pretende vacinar 50 milhões de pessoas em poucas semanas para se preparar para o feriado nacional do ano novo chinês, que ocorre em 12 de fevereiro. Nessa semana, centenas de milhões de chineses viajam pelo país para encontrar familiares e comemorar – o que pode acabar contribuindo para a disseminação do vírus em um momento em que a China enfrenta surtos localizados da doença.

O número de pessoas a serem vacinadas nesse intervalo de menos de um mês corresponde a 3,5% de toda a população chinesa. O governo definiu as populações prioritárias para receberem o imunizante, que inclui profissionais de saúde, funcionários públicos e trabalhadores dos setores de logística, transportes e energia.

  • Cerca de 75 cidades participarão da campanha de vacinação, segundo um levantamento com base em documentos municipais feitos pela emissora australiana ABC. Entre elas está Wuhan, que foi o primeiro foco da doença no mundo, além da capital Pequim e da maior cidade do país, Xangai, mas também cidades menores e vilarejos. Até o dia de hoje, 15 milhões de doses já haviam sido entregues, segundo reportaram autoridades chinesas à agência Reuters.

    Segundo reportou a mídia local, as unidades de saúde pelo país receberam doses da Coronavac, produzida pela empresa Sinovac, e doses do imunizante desenvolvido pela estatal chinesa Sinopharm. No dia 30 de dezembro, a China aprovou a vacina da Sinopharm para uso geral de sua população, após meses de aplicações feitas sob o selo de uso emergencial. A Coronavac ainda não recebeu a aprovação definitiva, mas tem aprovação emergencial e poderá ser utilizada nas pessoas dos grupos prioritários.

    A vacinação será gratuita, e os imunizados terão seus dados atualizados no banco de dados oficial do país. Assim, conseguirão utilizar aplicativos de celular criados pelo governo para comprovar que se vacinaram e terão passe livre para cruzar algumas fronteiras no país, mesmo em locais que estão sob quarentena.

    O objetivo a longo prazo do governo chinês é vacinar entre 60% e 70% de toda a sua população – embora não tenha fixado uma data específica para isso e nem revelado detalhes de como o processo será feito. Apesar de o governo central estar coordenando a campanha atual, poderes locais nas províncias e cidades também têm autonomia para definir seus próprios planos de vacinação.

    O plano atual vem para se preparar para o feriado do ano novo chinês, em que centenas de milhões de habitantes viajam pelo pais, geralmente para encontrar parentes que podem incluir pessoas mais velhas e frágeis. No ano passado, quando a China enfrentava as primeiras e mais caóticas fases da epidemia, os eventos dessa data foram totalmente cancelados.

    Mas a iniciativa de vacinação também surge em meio a um aumento dos casos no país – os maiores números desde março do ano passado. Nesta terça-feira (19), as autoridades reportaram 118 novos casos, a maioria na província de Hebei, região que circunda Pequim, na província de Jilin e na província de Heilongjiang, que faz fronteira com a Rússia. Todos esses locais estão sob algum tipo de restrição de movimento, sendo que algumas cidades dessas províncias estão sob lockdown. Na última quinta-feira (14), o país registrou a primeira morte por Covid-19 desde maio do ano passado.

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