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Como a ciência explica a sensação de que tem alguém te observando

Você não é o único: 94% das pessoas já sentiram que tinha alguma coisa com os olhos fixos nelas

Por Helô D'Angelo - Atualizado em 26 fev 2018, 19h33 - Publicado em 21 set 2016, 15h00

Você está lá, tranquilo, sozinho… E, de repente, sente que alguém (ou alguma coisa) está te observando. É de arrepiar, né?

Pois saiba que esse “sexto sentido” já é um mistério da ciência há muito tempo — só para dar uma ideia, o primeiro estudo sobre a sensação de estar sendo observado é de 1896. De lá para cá, descobriu-se que essa sensação atinge 94% das pessoas no mundo. Mas por quê isso acontece?

A culpa é da evolução. O olhar é muito importante para a sobrevivência de uma espécie como a nossa. Pense: quando a gente ainda vivia em cavernas, à mercê de animais selvagens, sentir que um predador estava te encarando poderia salvar sua vida.

O olhar também tem outras funções que colaboraram bastante para que os humanos evoluíssem como seres sociais. Ele ajuda você a manter conversas, a reconhecer perigo nas relações sociais (você está lidando com o olhar do seu chefe ou do seu colega?), a determinar se alguém é confiante ou não e até a se apaixonar (e a escolher um parceiro para procriar).

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Além das evolutivas, existem outras explicações para o esse fenômeno. Um estudo do Insituto Nacional de Saúde, nos EUA, mostrou que os seres humanos têm uma rede de neurônios especializada em reconhecer e sentir olhares, seja de animais ou de outras pessoas. Essa rede neural é, basicamente, um detector que dispara um alarme cerebral quando sente que alguém — ou que alguma coisa — está observando você.

Esse “radar” de olhares parece ser inato: uma outra pesquisa, de Cambridge, concluiu que recém-nascidos de apenas cinco dias de vida preferem rostos que os encaram fixamente a rostos que observam outras coisas — de novo, culpa da evolução.

O engraçado é que, na maioria das vezes, a sensação de ser observado não passa de um truque da sua cabeça. A lógica do cérebro é que é melhor prevenir do que remediar — ou seja: melhor fazer papel de bobo tentando encontrar um observador desconhecido no meio da multidão do que acabar sendo assaltado, por exemplo.

Mesmo que a sensação de ser observado seja um velho assunto da ciência, estudá-la ainda é muito difícil para os cientistas. Isso porque simular o sentimento de ser observado em uma pesquisa é quase impossível: quando os próprios cientistas agem como os observadores anônimos, parece que as “vítimas” conseguem detectar melhor o olhar do que quando os observadores também são participantes do estudo.

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Por isso, mesmo que exista uma série de explicações evolutivas e biológicas para o fenômeno, ele continua sendo um mistério para a ciência. Ele e essa pessoa te observando, atrás de você…

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