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Como a pílula afeta o corpo das mulheres?

Entenda como os hormônios contraceptivos interferem em diferentes aspectos da saúde da mulher

Ao introduzir hormônios sintéticos no organismo da usuária, a pílula age, de diferentes modos, sobre os órgãos influenciados por essas substâncias. Há dois tipos de pílulas: as combinadas, compostas de dois hormônios, estrogênio e progestagênio, e as monofásicas, só com progestagênio, indicadas para mulheres que estão amamentando ou que buscam uma opção mais branda.

As pílulas anticoncepcionais começaram a ser vendidas nos anos 1960 nos EUA e hoje são o método contraceptivo mais utilizado no mundo. Profissionais da saúde têm opiniões variadas a respeito. Para Zsuzsanna Jármy Di Bella, professora de ginecologia da Unifesp, a pílula é um método contraceptivo seguro para evitar a gestação em mulheres sexualmente ativas. “Desde que a usuária inicie a pílula com orientação médica adequada, os riscos são baixos”, afirma ela.

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Já Halaina Faria, ginecologista do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, de São Paulo, acredita que é necessário buscar alternativas. “As mulheres têm percebido uma negligência na oferta de métodos não hormonais, pois passam suas vidas escutando que precisam usar pílula, como se o corpo dependesse disso”, analisa.

A seguir, entenda como os hormônios contraceptivos interferem em diferentes aspectos da saúde da mulher:

 (Marcus Penna/Superinteressante)

1. Doenças cardiovasculares

Pesquisas apontam que a pílula pode causar uma resistência do organismo às proteínas C-reativas, que são anticoagulantes naturais. Com o anticoncepcional, o sistema circulatório pode ficar desequilibrado e propício a criar coágulos. O risco para trombose venosa pode ser até seis vezes maior e o de trombose arterial, AVC e enfarte agudo do miocárdio até duas vezes maior.

Na opinião da professora de ginecologia da Unifesp Zsuzsanna Jármy Di Bella, na prática as usuárias correm pouco risco, pois esses eventos são raros na faixa etária de uso de pílula. De qualquer forma, o acompanhamento médico é sempre necessário.

2. Retenção de líquido

O fígado contém células chamadas de hepatócitos, que produzem enzimas responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue, como gorduras, proteínas, vitaminas e hormônios (como no caso da pílula). Nas usuárias de pílulas combinadas, o fígado fica sobrecarregado trabalhando para absorver o anticoncepcional, deixando de eliminar grande parte do sódio presente no nosso organismo. O sódio controla a entrada e a saída da água em nossas células e, em alta quantidade, faz com que essas células fiquem com pouca água, concentrando o líquido em outras partes do corpo.

3. Libido menor

Nas não usuárias de pílula, a testosterona, hormônio responsável pelo nosso desejo sexual e produzido naturalmente pelo corpo, varia em quantidade a cada mês. Com a pílula, o hormônio natural é substituído pelo sintético, o progestagênio, que tem quantidade regular. Algumas pílulas podem diminuir o nível de testosterona livre circulante nos vasos sanguíneos, e muitas mulheres relatam uma diminuição da libido e da lubrificação natural da vagina. Essa lubrificação acontece quando a mulher sente tesão e serve para facilitar a entrada do pênis.

4. Músculos bombados

Por causa da presença de hormônios andrógenos como os estrogênios, um hormônio predominantemente masculino, os músculos podem se desenvolver mais facilmente do que nas mulheres que não tomam pílula.

5. Menos TPM

Um dos fatores que agravam a tensão pré-menstrual, a famosa TPM, é a irregularidade na produção dos hormônios estrogênio e progesterona, algo que pode rolar durante uma fase ou por toda a vida da mulher, devido a vários motivos. Em parte das usuárias de anticoncepcional, a quantidade de hormônio presente no corpo passa a ser regular, nivelando os hormônios e diminuindo os sintomas que aparecem nessa época do mês.

 (Marcus Penna/Superinteressante)

1. Muco espesso

O muco cervical pode ser tanto um facilitador quanto um dificultador na hora de produzir bebês. Sem o consumo do anticoncepcional, a secreção muda conforme o ciclo menstrual da mulher, ficando elástica no período fértil para que o espermatozoide possa deslizar com mais facilidade para dentro do sistema reprodutor. Com a pílula, o muco permanece espesso durante todo o ciclo, o que ajuda a frear o espermatozoide.

2. Endométrio fino

No ciclo menstrual de uma mulher que não usa pílula, existe aumento de estrogênio na primeira fase e de progesterona na segunda fase. Isso faz aumentar a espessura do endométrio (parede que recobre o útero), uma condição necessária para que o óvulo fecundado se desenvolva.

Quando a mulher toma anticoncepcional, essas fases não existem e a mesma quantidade de hormônio é recebida todos os dias (nas pílulas monofásicas, que são as mais comuns). Assim, o endométrio permanece sempre da mesma espessura.

3. Não há ovulação

Quando o ovário percebe que circulam no sangue hormônios sintéticos, ele entende que não precisa mais produzir hormônios e nem eclodir os óvulos. É isso que efetivamente impede a gravidez. Numa mulher que não toma pílula, é necessário que o óvulo seja liberado pelo ovário no período fértil para que a fecundação ocorra.

4. Não rola menstruação

Na mulher sem pílula, todo mês, o útero fica mais grosso e esponjoso para fornecer nutrientes ao óvulo que é liberado. Como o óvulo não é fecundado, ele não precisa dos nutrientes, e a mulher elimina o sangue e o tecido que engrossam o útero por meio da menstruação.

Com a pílula, a mulher não ovula, portanto não menstrua. Se ela fizer um intervalo no uso, pode até ter um fluxo, mas não será menstruação, e sim um sangramento com cor e textura diferentes, pois se trata da descamação do endométrio (parede que recobre o útero) causada pela queda dos níveis hormonais.

5. Cólicas mais brandas

A cólica menstrual acontece porque o útero precisa se contrair, abrindo e fechando para que o sangue e os coágulos passem para o canal vaginal. Como a pílula diminui o fluxo sanguíneo e consequentemente os coágulos, a cólica pode até desaparecer.