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Microbiota do sêmen pode estar por trás da infertilidade masculina, segundo estudo

Uma pesquisa da Universidade da Califórnia encontrou uma relação entre bactérias e a baixa mobilidade dos espermatozoides.

Por Maria Clara Rossini
23 jan 2024, 15h55

Você já ouviu falar da microbiota intestinal – o conjunto de bactérias que vive no seu sistema digestório, e são importantíssimas para o funcionamento do intestino e até do cérebro. A microbiota da pele e da vagina também influenciam a saúde desses órgãos.

O sêmen, por outro lado, geralmente não têm bactérias enquanto está nos testículos. Mas isso muda quando o fluido passa pela última porção do pênis, que carrega sua própria população de micróbios. O sêmen sai, então, com algumas bactérias, dependendo de como está a microbiota daquela região.

Nem todas as bactérias são danosas. Assim como em outras partes do corpo, o equilíbrio da microbiota é benéfico para o sêmen. No entanto, um estudo da Universidade da Califórnia mostrou uma relação entre algumas bactérias e a baixa mobilidade dos espermatozoides – que pode ser uma das causas da infertilidade masculina.

O artigo foi publicado no periódico Nature Scientific Reports. Os pesquisadores analisaram amostras de sêmen de 73 homens que procuravam fazer uma avaliação de fertilidade ou exames preparatórios para vasectomia.

Das amostras coletadas, os espermatozoides de 27 homens apresentaram mobilidade fora do normal – basicamente, os gametas tinham mais dificuldade para chegar ao óvulo. Os outros 46 estavam dentro do esperado. O grupo de esperma anormal também tinha maior concentração da bactéria Lactobacillus iners (9,4%) em comparação ao segundo grupo (2,6%).

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Essa bactéria faz parte da microbiota vaginal, e geralmente encontra-se em níveis saudáveis para a mulher. No entanto, os pesquisadores acreditam que a L. iners pode estar impactando a fertilidade dos homens. 

Estudos in vitro realizados com outras espécies revelaram que o ácido lático pode reduzir a mobilidade dos espermatozoides. E a bactéria L. iners produz, justamente, ácido lático. 

Vale lembrar que a nova pesquisa encontrou apenas uma relação estatística entre a concentração de bactérias e o sêmen de baixa mobilidade. Ainda não sabemos se a L. iners é, necessariamente, a causa do problema. É possível que exista um terceiro fator em jogo, que influencia tanto os espermatozoides quanto as bactérias.

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Além disso, três bactérias do gênero Pseudomonas também foram encontradas – tanto no sêmen “normal” quanto no “anormal”. As espécies P. fluorescens e P. stutzeri eram mais comuns no grupo com baixa mobilidade de espermatozoides, enquanto a P. putida aparecia em baixas quantidades, quando comparado ao outro grupo de homens.

É cedo para dizer se essas bactérias também podem estar relacionadas à fertilidade. O estudo só começa a olhar a microbiota do sêmen, e abre possibilidades de investigação para pesquisas mais rigorosas.

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