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Muitos médicos têm conflitos de interesse

A indústria farmacêutica investe bilhões de dólares, todos os anos, em congressos e palestras de médicos - cuja isenção pode ser afetada por isso

Por Fernanda Ferrairo e Bruno Garattoni Atualizado em 4 dez 2019, 14h28 - Publicado em 4 ago 2016, 17h00

20 SEGREDOS QUE OS MÉDICOS NÃO CONTAM
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Desde 2010, o governo americano obriga as empresas farmacêuticas a registrar seus gastos com a classe médica.

Os números mais recentes são de 2014. Nesse ano, as empresas declararam US$ 6,45 bilhões. A maior parte vai para o financiamento de pesquisas científicas (pagando os salários dos médicos envolvidos).

Mas US$ 2,5 bilhões se destinam a “despesas gerais” – que incluem material e eventos de divulgação, brindes, refeições e viagens a congressos para médicos, que também podem ser recrutados para fazer palestras pagas. E isso pode ser um grande problema para os pacientes, pois pode afetar a isenção profissional do médico – e criar um incentivo para que ele receite mais medicamentos da empresa com a qual mantém relações.

Foi o caso do psiquiatra Daniel Carlat, que escreveu a respeito no The New York Times. Ele conta ter recebido proposta de uma multinacional farmacêutica. Daria palestras, a outros médicos, sobre um novo antidepressivo. Receberia US$ 500 a cada uma.

Ao mesmo tempo em que dava as palestras, Carlat pesquisou por conta própria sobre o medicamento. Descobriu que algumas pessoas que o tomavam desenvolviam hipertensão, efeito que os outros antidepressivos não tinham. Também viu seus próprios pacientes tendo problemas (quando tentavam parar com a droga, apresentavam fortes sintomas de abstinência). Decidiu rasgar o contrato.

No Brasil, a relação entre laboratórios e médicos é menos transparente. “Nós pedimos à indústria que nos enviasse os nomes dos médicos [com os quais ela tem relação]. Nenhuma empresa respondeu”, conta o cardiologista Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp.

Fonte: CMS Open Payments Dataset.

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