Clique e assine a partir de 8,90/mês

Como o coronavírus vai mudar as viagens de avião?

Instalações de desinfecção, check-in de sinais vitais e comissários vestindo EPIs são algumas dessas transformações.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 23 jun 2020, 12h38 - Publicado em 17 jun 2020, 18h30

A pandemia de covid-19 diminuiu o fluxo nos transportes públicos, afastou as pessoas das ruas, intensificou o comércio online, transformou casas em escritórios, entre outras várias mudanças. Muitas delas devem se manter, pelo menos, até o final de 2020 – isso se alguns desses novos hábitos não se tornarem tão efetivos que ficarão mesmo após a distribuição de uma vacina. 

Para as viagens de avião, a história não é diferente. Por enquanto, os procedimentos básicos das companhias aéreas estão sendo a medição da temperatura dos passageiros e redução de lugares nas aeronaves. 

Mas, em alguns países, as mudanças são visíveis desde a chegada ao aeroporto até o momento em que o avião já está no ar rumo ao seu destino. No Aeroporto Internacional de Hong Kong (HKIA), por exemplo, está sendo testada a CleanTech, que nada mais é do que uma instalação de desinfecção. Além disso, robôs autônomos de esterilização já tomaram conta dos corredores, desinfetando o aeroporto com luz ultravioleta, que danifica o material genético de bactérias e vírus, destruindo-os. 

Ao chegar ao aeroporto, é preciso realizar o check-in e despachar as malas. A Etihad Airways (companhia aérea dos Emirados Árabes) junto à empresa australiana Elenium Automation estão desenvolvendo um quiosque ativado por voz que monitora a temperatura, frequência cardíaca e respiratória das pessoas antes de seguirem ao check-in. Se os sinais vitais estiverem fora do padrão, o passageiro é impedido de viajar. Por enquanto, o dispositivo está sendo testado no aeroporto de Abu Dhabi. Em outros locais, como Índia e China, está sendo pedido no momento do check-in uma confirmação do estado de saúde do paciente por meio de aplicativos de rastreamento. Se o status estiver verde, a pessoa está liberada para o voo. 

Quanto às malas, o ideal é despachar todas e evitar bolsas de mão. Isso porque elas aumentam o risco no momento da revista, já que o funcionário pode precisar entrar em contato com seus objetos pessoais. Além disso, o processo de guardá-las no maleiro do avião pode causar congestionamentos nos corredores.

Continua após a publicidade

Tudo pronto, hora do embarque. Esse é o momento mais conturbado – e também o mais perigoso. Forma-se uma fila gigante, os funcionários devem pegar seus documentos e passagens e todos passam pelo mesmo caminho rumo aos corredores apertados e sem ventilação das aeronaves. O engarrafamento até a chegada ao assento é característico. 

Mas algumas propostas já estão revendo essa bagunça. Primeiro, algumas companhias aéreas estão solicitando que os passageiros utilizem documentos digitais, dessa forma, eles não terão que passar por outras mãos e todos se mantêm protegidos. 

Quanto ao engarrafamento, temos três possíveis soluções: a primeira sugerida por Michael Schultz, engenheiro do Instituto de Logística e Aviação da Universidade de Dresden (Alemanha), em que o embarque ocorreria pelas duas portas do avião (frontal e traseira), liberando o fluxo e deixando também que os passageiros passem pela pista (o que significa ar livre); há também o método Steffen, em que os passageiros embarcariam em ondas. Por exemplo, primeiro os próximos da janela com o intervalo de dois assentos entre eles (A-30, A-28 e A-26), depois os do meio, e por aí vai; e por fim, têm-se a escolha do assento na hora por inteligência artificial. O bilhete seria lido e a pessoa direcionada para o lugar de acordo com a disposição prévia da aeronave. 

O motivo para não terem implantado antes esses mecanismos diz respeito a tempo e dinheiro. Teria que haver certa organização prévia e um maior período de embarque, o que resultaria em menos voos e menos vendas de passagens.

Após estarem todos em seus lugares, o avião se prepara para a decolagem. Nesse momento, é possível respirar aliviado. Com o motor ligado, começam a funcionar os filtros HEPA (sigla em inglês para retenção de partículas de alta eficiência) que equipam a aeronave. Os filtros removem 99% dos vírus e bactérias ligados às gotículas que estão presentes no ambiente – mas, claro, não impedem que uma tossida do passageiro ao lado contamine você.

Os passageiros podem viajar com frascos pequenos de álcool gel e devem estar de máscara durante todo o processo de viagem – do aeroporto de origem ao de destino. Algumas companhias não estão oferecendo comida, apenas água, o que reduz a circulação de funcionários pelo avião. Além disso, a Qatar Airways, por exemplo, não está mandando seus comissários em trajes típicos, mas sim com roupas protetivas, como as usadas em hospitais. 

Continua após a publicidade
Publicidade