Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Fogo em alto mar: o que explica os incêndios do México e Azerbaijão

Imagens de incêndios em alto mar viralizaram nos últimos dias. Mas fique tranquilo: elas não denunciam o fim dos tempos. Um foi causado pela ação humana. O outro, por um fenômeno natural.

Por Luisa Costa Atualizado em 5 jul 2021, 21h28 - Publicado em 5 jul 2021, 20h57

No último final de semana, imagens de um redemoinho de fogo no Golfo do México viralizaram na internet. Não foi à toa: os vídeos registrados por helicópteros são dignos de um filme apocalíptico. 

Ontem foi o dia de um outro incêndio em alto mar, dessa vez no Mar Cáspio, próximo ao Azerbaijão. As imagens não foram capturadas de um ângulo privilegiado como as do Golfo do México, mas nem por isso são menos surpreendentes.

Os incêndios aconteceram em um intervalo de apenas dois dias, e as imagens fizeram muita gente questionar se o fim do mundo estaria próximo. Por mais apocalípticas que pareçam, o fogo em alto mar tem explicações – mesmo que ainda estejam incertas. 

Golfo do México

Na manhã desta sexta-feira (2), aconteceu um incêndio em alto mar próximo a uma plataforma da Pemex, uma companhia estatal de petróleo do México. No vídeo abaixo, é possível ver barcos no local tentando controlar o incêndio com jatos de nitrogênio.

Continua após a publicidade

Segundo comunicado da empresa, o que causou o incêndio foi um vazamento de gás de um oleoduto. As válvulas conectadas ao duto já foram fechadas, e o incêndio levou 5 horas para ser extinguido. As causas do acidente e o impacto para o meio ambiente ao redor ainda devem ser avaliados.

Ángel Carrizales, chefe de segurança da Asea (Agência de Segurança, Energia e Ambiente do México), afirmou no Twitter que o incidente da Pemex não gerou nenhum vazamento de óleo no mar. No entanto, ele não explicou o que estaria queimando na superfície da água.

Grupos ambientais apontaram o incêndio como um exemplo dos riscos que as instalações de petróleo e sua baixa manutenção trazem para o meio ambiente e para a segurança das pessoas. Basta lembrar do derramamento de óleo que ocorreu em 2010 no Golfo do México.

Mar Cáspio

Já na noite de domingo (4), uma grande explosão e incêndio ocorreram próximo a uma plataforma de petróleo no Mar Cáspio. O incidente aconteceu ao sul da costa de Bacu, capital do Azerbaijão, e as chamas foram vistas em toda a região.

A princípio, os moradores pensaram que se tratava de uma explosão na plataforma de petróleo ou em algum navio. Mas a Companhia de Petróleo Estatal da República do Azerbaijão (SOCAR) afirmou que não houve nenhum, e que os navios não foram afetados pela explosão. 

O que parece ter causado a grande coluna de fogo em alto mar é a erupção de um vulcão de lama – essa é a aposta de Gurban Yetirmishli, diretor do serviço sismológico do país. Mas o que é um vulcão de lama?

O Azerbaijão é conhecido por ter muitos deles. Eles são estruturas em forma de cone que se formam quando a lama é expelida no fundo do mar. Isso ocorre devido a fatores como sedimentação do solo, pressão de gases e atividade sísmica.

  • Quando um vulcão de lama entra em erupção, ele libera uma grande quantidade de metano (um gás inflamável) e, em menor quantidade, gás carbônico, nitrogênio e hélio. Também acontece a liberação de vapor de água e lama – assim, as erupções reconstroem continuamente o cone do vulcão.

    Segundo Mark Tingay, especialista em vulcões de lama e professor da Universidade de Adelaide (Austrália), o local da explosão é compatível com a localização de um vulcão de lama chamado Makarov Bank. Em 1958, esse vulcão explodiu e gerou uma coluna de fogo de 500 metros de altura e 150 de largura.

    O fenômeno ainda não é bem compreendido pelos cientistas, mas acredita-se que a ignição dos vulcões de lama é causada pelo choque entre rochas que, impulsionadas durante a erupção, geram faíscas. Segundo essa teoria, o contato das faísca com os gases inflamáveis resultaria no fogo.

    Um porta-voz da SOCAR afirmou que um navio com especialistas foi enviado ao local para investigar o incidente, e que o público seria informado assim que eles obtivessem mais informações.

    Continua após a publicidade
    Publicidade