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Nesta estrada da Estônia, usar cinto de segurança é proibido

Com 25 km de extensão, ela é a maior estrada de gelo da Europa. Não, você não leu errado. Saiba como é dirigir sobre o mar congelado.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 4 Maio 2022, 13h29 - Publicado em 10 dez 2021, 15h20

A Estônia é um pequeno país báltico próximo à Finlândia e que faz fronteira com a Rússia. Tem 45 mil quilômetros quadrados (o tamanho do estado do Espírito Santo) e 1,3 milhão de habitantes (menos que Porto Alegre).

Ex-república soviética, a Estônia é considerada uma das sociedades mais avançadas digitalmente no mundo. Faz anos que toda a burocracia governamental, por exemplo, é feita pela internet. Não à toa, é de lá que saíram empresas como Skype, a fintech Wise e o app de mobilidade Bolt.

Mas esse não é o assunto deste texto. Dê uma olhada no mapa abaixo:

Mapa da região da Estônia onde está a estrada de gelo Rohuküla-Heltermaa
Google Maps/Reprodução

Mais de 1.500 ilhas fazem parte do território da Estônia. A oeste do país estão as duas maiores, Saaremaa e Hiiumaa. Na maior parte do ano, o trajeto até lá é simples: balsas realizam o trajeto de menos de 30 km e, em pouco tempo, chega-se ao outro lado do mar.

Mas tudo muda durante o inverno, e por um motivo simples: os estreitos do mar Báltico congelam, impossibilitando a travessia por balsa. A solução? Dirigir sobre o gelo.

A estrada de gelo

Existem seis estradas de gelo oficiais ao redor da Estônia. A maior delas (que também é a maior da Europa) é a Rohuküla-Heltermaa, que tem 25 km de extensão – é a que aparece em destaque no mapa acima. Não é uma travessia perigosa: a camada de gelo é grossa (na primavera, ela ainda tem, pelo menos, meio metro) e há neve por cima. Acidentes são raríssimos. Mas é preciso tomar bastante cuidado.

Não é permitido dirigir depois do pôr do sol, e veículos que pesem mais de 2,5 toneladas são proibidos. Para evitar muito movimento, os carros precisam andar mais espaçados uns dos outros: há semáforos nas extremidades da rodovia que garantem um intervalo de, pelo menos, dois minutos entre os automóveis que entram na estrada.

E claro: não pode usar cinto de segurança. Afinal, no caso de uma emergência (o seu carro começar a afundar, digamos), é preciso sair rapidamente do veículo.

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Por fim, é ilegal dirigir entre 25 e 40 km/h. É que, nesse intervalo, os pneus produzem vibrações que podem quebrar o gelo que está embaixo. É preciso, então, dirigir calmamente abaixo dos 25km/h ou pisar no acelerador – e torcer pelo melhor.

Como é dirigir por lá?

“[As estradas de gelo] são incrivelmente seguras”, escreveu o jornalista Joel Atlas em um texto para a BBC sobre o tema. “É áspero em alguns trechos e escorregadio em outros, mas você nunca tem a sensação de que a superfície pode ceder.

Joel dirigiu por lá a 70 km/h. Durante a travessia, ele percebeu que alguns pontos da pista haviam se deteriorado, formando grandes buracos. Mas não era nada demais: quando o carro passava por eles, o jornalista sentia apenas um solavanco – e um borrifo de água e gelo no para-brisa.

O único entrave são algumas rachaduras enormes pelo caminho. Não que elas sejam um sinal que tudo vai desmoronar. Nesses lugares, os controladores rodoviários colocam pranchas de madeira, que funcionam como pontes. A paisagem compensa qualquer perrengue. “Em um dia de sol como este, a vista é deslumbrante. Um deserto de branco brilhante se estende em todas as direções. Pequenas ilhas pontilhadas ao redor da baía aparecem como oásis no horizonte”, escreve Joel.

Um pouco de história

A travessia de gelo não é novidade por lá. No século 13, cavaleiros teutônicos cruzaram o gelo a cavalo para conquistar as ilhas da região (os teutões eram os povos germânicos que viviam no centro e norte da Europa). As primeiras aldeias de lá, inclusive, foram construídas com materiais do continente – sim, o carreto atravessou o mar congelado. Animais como ursos, lobos e alces também se aventuram no trajeto em busca de comida.

Apesar de parecer uma alternativa pouco prática, centenas de carros atravessam as estradas de gelo diariamente nos meses mais frios do ano – é uma opção mais barata do que pegar uma balsa. Para economizar uma graninha, vale de tudo.

Por vídeo, dá para ter uma ideia de como é dirigir dessa forma. Você pode assistir neste link ou por aqui:

 

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