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A convenção dos bruxos da informática

Os magos da informática decidiram que, a partir de agora, tudo vai ser leve, solto e acessível. Ou seja: portátil, sem fio e por uma pechincha. Foi esse o recado enviado aos aprendizes de feiticeiro reunidos em Chicago no mês de junho.

Os feiticeiros de hoje em dia trocaram o chapéu pontudo por um kit básico que inclui telefone celular plugado num notebook. Em vez da capa bordada com estrelas, luas e sóis, preferem vestir um macacão que vale por um óculos de realidade virtual, só que mais divertido: dá para sentir até a textura dos objetos que enxergam de mentirinha. A varinha de condão ganhou um design mais moderno e atende pelo nome de mouse sem fio. E o grande livro de poções mágicas agora é um computador maleável, com páginas de plástico, que – abracadabra! – exibe qualquer texto que vier em cartuchos.

Para não deixar dúvida sobre o poder que essas e outras novidades exercerão em breve no seu cotidiano, esses geniais inventores se reuniram durante quatro dias, de 3 a 6 de junho, nos dois prédios do McCormick Place, o megapavilhão de exposições da cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Aprendizes de feiticeiro de todo o mundo, disfarçados de homens de negócios, de lojistas e até de simples mortais, tiveram fôlego para percorrer os estandes de nada menos que 4 200 expositores da Comdex Spring 96, a maior feira de informática do mundo. Havia famílias como a de Henry Jimsen, um consultor de contabilidade que levou seus três filhos para desbravar a feira. “Cada um vê uma parte e tira fotos. À noite, em casa, vamos conhecer a Comdex inteirinha”, dizia ele, orgulhoso de sua estratégia. Grupos de empresários engravatados se desviavam dos estudantes ajoelhados para consultar os mapas da feira. Era tanta gente que, na hora do almoço, até os executivos sentavam no chão para comer fast food. Eram cerca de um milhão de visitantes.

Nas palestras e nas conferências, sempre muito concorridas, os grandes chefes da feitiçaria, como Jim Clark, presidente da Netscape, Scott McNealy, presidente da Sun, e Raul Maritz, vice-presidente da Microsoft, estiveram discutindo o futuro. A conclusão é de que vêm aí produtos mais eficientes e cada vez mais baratos, acessíveis aos mandrakes amadores. Além disso, a enorme variedade de lançamentos (havia até verdadeiros supermercados de suprimentos atendendo normalmente lá dentro) fez da feira uma alegre convenção de cyberbruxos.

Do dia 9 ao dia 13 deste mês, a Comdex acontece também em São Paulo, no pavilhão de exposições do Anhembi. Serão cerca de 350 expositores trazendo parte das mágicas eletrônicas apresentadas em Chicago. Para não morrer de curiosidade, veja nas páginas seguintes alguns dos truques futuristas que encantaram a terra do Halloween.

Duelo de titãs

A Netscape, que no ano passado conseguiu balançar a Microsoft e tirar o sono de Bill Gates, montou um estande de 200 metros quadrados entupidos de computadores mostrando seus 32 software. Até a Microsoft se impressionou.

Tudo para impressionar

Os estandes das grandes empresas mais pareciam obras de engenharia. A Digital chamou a atenção com um verdadeiro prédio dentro do pavilhão. Tinha três pisos: o térreo para a recepção, o primeiro para os lançamentos e uma sala vip no segundo andar.

Estrela solitária

A Apple continua rebolando para conquistar mais adeptos aos seus computadores, os Macintosh que resistem bravamente num mundo feito de Pcs. Para ganhar espaço, baixou preços, lançou novos produtos e marcou sua estréia na Internet.

Estratégia de visita

Um milhão de visitantes transformaram os corredores do pavilhão de Chicago num formigueiro. Algumas pessoas precisaram voltar no dia seguinte para poder ver toda a feira. O segredo era ter um mapa e planejar a visita com roteiros estratégicos antes de entrar.