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A verdade sobre a vinda do Hyperloop a Minas Gerais

Minas abrigará um centro de pesquisas dedicado ao trem futurista de Elon Musk – mas não há planos de construir linhas de fato.

O Hyperloop é uma daquelas tecnologias que parecem ter saído de um filme de ficção científica. Desenvolvido por Elon Musk, um trem, dentro de um tubo recheado de vácuo consegue atingir velocidades próximas da do som, transportando seus passageiros a 1.100 km/h. Daria pra ir de São Paulo à Minas Gerais em 30 minutos. E com um bônus: coberto de painéis solares, ele faria tudo isso usando apenas e somente energia renovável. Parece impossível, certo? É porque, por enquanto, realmente é.

Mesmo assim, a notícia de que um Hyperloop seria construído em Minas Gerais circulou bastante. Mas e aí? O que é verdade e o que é mentira?

O fato é que Musk transformou seu projeto em um White Paper, uma espécie de documento sem amarras comerciais ao seu criador. Na prática, qualquer empresa poderia construir o trem sem dar um real para Elon. Isso despertou o interesse de várias companhias, a Virgin, por exemplo, está desenvolvendo seu trem – mas ainda não conseguiu atingir os 400km/h. Outro exemplo é a americana HyperloopTT, que construiu uma empresa, baseada no documento de Musk. E o evoluiu. “Contratamos parte da equipe que trabalhou com Musk. Agora eles estão com a gente, diz Bibop Gresta, CEO da iniciativa, em entrevista à SUPER. A HyperloopTT sim, está começando a atuar no Brasil. Mas não necessariamente na construção do meio de transporte em terras brasileiras.

O que a empresa anunciou hoje é que a cidade de Contagem será palco de um centro de pesquisas envolvendo o trem-bala-do-futuro. Em território mineiro, o trem será analisado, estudado e prototipado. “A construção do Hyperloop é outra coisa, outra esfera. Por enquanto, Contagem está pensada como local deste centro”.

Não é pouca coisa. O ambiente será o primeiro a estudar, por exemplo, como o trem pode atuar no transporte não só de pessoas, mas também de cargas. O centro, localizado em uma antiga fábrica, recebeu um investimento de US$26 milhões (metade vinda da empresa, metade do governo estadual mineiro). A ajuda governamental aparece aqui, na esperança de que, a longo prazo, a inicitaiva se torne benéfica para a região. A ideia é que a iniciativa atraia para Contagem e Belo Horizonte empresas e startups que queiram colaborar no desenvolvimento do meio de transporte – consequentemente gerando empregos, e impostos para as cidades. No evento, Gresta afirmou que nos próximos meses revelará quais são os setores em que a Hyperloop buscará parcerias no Brasil, e indicou que também tentará estreitar laços com universidades da região, afim de empregar alunos e recém formados.

O plano é que o centro comece a atuar até o fim do ano. A construção do Hyperloop, no entanto, segue sem a definição se realmente vai acontecer em Minas, ou no Brasil. Por enquanto, sem trem bom, sô.