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Cachorros obedecem comandos de voz dados por robôs; veja vídeo

A suspeita dos cientistas é que as máquinas, assim como os donos de carne e osso, também podem exercer certa autoridade sobre os bichos. Entenda.

Por Guilherme Eler - Atualizado em 13 Maio 2020, 16h18 - Publicado em 13 Maio 2020, 16h14

Sejamos sinceros: cães só ocuparam o posto de melhores amigos do homem porque, além de bons companheiros, são também obedientes. E isso implica saber aprender e acatar as ordens de seus donos, como “bons meninos” que são. Todo pai de pet um pouco mais esforçado, afinal, já conseguiu ensinar seu bichinho a não subir no sofá ou fazer xixi no lugar certo, por exemplo.

O que pesquisadores da Universidade Yale, nos Estados Unidos, descobriram, no entanto, é que não é preciso ser da nossa espécie para ter voz de comando sobre os bichos. Em um experimento com 34 animais, cãezinhos obedeciam as ordens mesmo quando elas vinham de robôs. Você pode ler o artigo científico que detalha a pesquisa clicando aqui.

Para encontrar essa relação, cientistas posicionaram cachorros de diferentes raças em frente a um robozinho Nao, modelo criado na França em 2008. Então, uma voz humana os chamava pelo nome ou dizia o clássico comando: “fulano, senta!”.

Aí foi só observar a reação dos cachorros – se eles olhavam em direção à fonte sonora quando ouviam o próprio nome e se ficavam apoiados sob as patas traseiras após receberem a ordem. Você pode assistir ao desempenho de alguns dos cães testados pelo estudo no vídeo abaixo.

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Quando era o robô que dava a ordem de sentar, os cachorros respondiam corretamente em 60% das vezes. “Mas isso acontece porque o bicho escuta a voz e reproduz o comando a que está acostumado”, você, leitor, pode estar pensando. Não é exatamente por aí: quando o comando “senta!” era emitido com a mesma voz robótica por alto-falantes colocados na sala, a resposta só era positiva em 20% dos casos.

Dito isso, é possível concluir duas coisas. Primeiro: o comando de voz, por si só, nem sempre é suficiente para que os cães sigam a ordem. Segundo: no teste, cães enxergavam o robô não como uma caixinha de som, mas como uma autoridade – semelhante ao que fazem com seus donos.

Como os próprios autores do estudo destacam, pesquisas anteriores já haviam testado a habilidade de cachorros ouvirem e reagirem a estímulos de voz, sem a presença física do dono. Nesses experimentos, ficou clara a importância que a união dos estímulos visual e sonoro possui. Cachorros que assistiam ao dono ao vivo em uma chamada de vídeo, afinal, eram mais obedientes do que os aqueles só ouviam a voz familiar pelos alto-falantes.

Outro ponto merece destaque: assim como humanos, cachorros parecem enxergar nos robôs mais do que simples objetos. Robôs são máquinas, tanto quanto um liquidificador ou um ferro de passar, por exemplo. A grande diferença é que, por terem características humanas – como olhos, membros ou voz – eles se tornam, por tabela, mais humanos para nós. A resposta dos cães sinaliza que eles têm um entendimento parecido.

Segundo Meiying Qin, pesquisadora de Yale que liderou o estudo, o fato de robôs serem mais ou menos “humanoides” – ou seja, reproduzirem com mais fidelidade a aparência e o comportamento humanos – é outro fator que pode impactar a forma como cães respondem. Ter olhos ou um cheiro mais próximo ao dos donos, claro, conta pontos. Um comportamento “inadequado” por parte da máquina, porém, pode jogar contra.

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“Um robô que fica parado, sem se movimentar, pode não parecer uma autoridade para o cão”, disse, em entrevista à revista IEEE Spectrum. “Por outro lado, um robô que se move muito rápido simplesmente assusta os bichos.”

O quanto o conceito de Vale da Estranheza – que se aplica à relação que humanos têm com robôs muito realistas – também vale para cachorros, só novos estudos poderão dizer. Mas a moral da história continua sendo a mesma: se você se sentiu o próprio Dr. Dolittle só porque conseguiu fazer seu cachorro dar a patinha, talvez seja melhor rever seus conceitos.

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