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Estrelas provocam epidemia de vírus

Betelgeuse pode estar espalhando germes espaço afora.

Repare na estrelinha avermelhada numa das quinas da Constelação de Órion (veja Mapa do Céu). É Betelgeuse, uma gigante vermelha, 400 vezes maior que o Sol. Os canadenses Jim Lepock, Paul Wesson e Jeff Secker, da Universidade de Waterloo, dizem que astros poderosos como ela podem espalhar uma epidemia de vírus pelo Cosmo. A teoria por trás da idéia é do sueco Svante Arrhenius (1859-1927) e se chama panspermia. A luz das estrelas comuns, como o Sol, tem mesmo força suficiente para empurrar minúsculos corpos, como micróbios. É que a luz é formada por partículas chamadas fótons, que trombam com tudo o que encontram. O problema é manter os bichinhos vivos em grandes travessias (veja o infográfico abaixo). Se estiverem desprotegidos, são torrados pelos raios ultravioleta. Se estiverem dentro de um grão de rocha, ficam pesados demais. A solução está nas potentes gigantes vermelhas. Paul Wesson explicou à SUPER: “A queda de asteróides e cometas num planeta como a Terra pode arrancar germes junto com pedaços de solo.” Dentro dos grãos, os germes podem viajar, vivos, até 100 anos-luz, em alguns milhões de anos (1 ano-luz mede 9,5 trilhões de quilômetros). Isso é suficente para chegar aos domínios de outra estrela e ganhar novo impulso. E por aí vai, até os vírus caírem como meteorito em outro mundo propício à fertilização. Ninguém nunca viu vírus vivos flutuando pelo Cosmo. Mesmo assim, fica mais forte o sonho de achar vizinhos em outro mundo.

Viagem cósmica com protetor solar

Bem encapotado, um vírus sobrevive a uma jornada de até 100 anos-luz.

1 – Um vírus sem proteção, que passe a menos de 7,5 bilhões de quilômetros de uma estrela comum, como o Sol, não sobrevive mais do que alguns dias ao bombardeio de raios ultravioleta.

2 – Um micróbio envolto em grãos de solo está protegido dos raios ultravioleta. Mas a luz não consegue empurrar todo o peso além de 150 milhões de quilômetros da estrela.

3 – Uma gigante vermelha emite luz suficiente para empurrar um microorganismo vivo com sua capa protetora de rocha, a até 100 anos-luz de distância.