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Existem outras Terras?

Um dos grandes desafios da pesquisa espacial é encontrar, nos cafundós do Universo, lugares com características semelhantes às do nosso planeta.

Reinaldo José Lopes

Mais de 100 planetas já foram identificados fora do Sistema Solar, mas nenhum se parece com a Terra. No entanto, isso não diz muita coisa sobre a possibilidade de existirem tais planetas, porque os métodos atuais de observação só permitem flagrar corpos muito grandes, capazes de exercer uma influência significativa sobre a luz da estrela que orbitam (ao passarem na frente dela) ou fazendo-a “bambear” pelo efeito de seu campo gravitacional. É por isso que todos esses planetas extra-solares são gigantes feitos de gás como Júpiter ou Saturno, muitas vezes maiores que a nossa Terra.

No entanto, há outros problemas. Para ter condições de abrigar a vida, um planeta teoricamente precisaria estar na chamada zona habitável do sistema, mais ou menos equivalente à distância que separa a órbita de Vênus da de Marte em relação a uma estrela como o Sol. Quase todos os sistemas já descobertos em volta de outras estrelas têm planetas gigantes compostos por gases muito perto de seus sóis, o que é má notícia para uma possível Terra. Isso porque, para chegar tão perto da estrela, teriam de ter vindo das partes mais exteriores de seu próprio sistema estelar. Para tanto, passariam feito um rolo compressor sobre qualquer planetinha de tamanho semelhante ao da Terra que estivesse no caminho.

Até hoje, só um sistema extra-solar parece ter seu gigante gasoso no lugar certo, além do que seria a órbita de Marte. É o da estrela HD 70642, a 90 anos-luz daqui, cujo planeta foi identificado no ano passado. Isso daria uma probabilidade de cerca de 1% de haver planetas parecidos com a Terra nos sistemas solares do universo – relativamente rara, mas longe de ser impossível.

A confirmação só vai vir com a nova geração de telescópios espaciais, como o Terrestrial Planet Finder, da Nasa, e o Darwin, da Agência Espacial Européia, que devem começar a funcionar por volta de 2015. Eles devem ser os primeiros a observar planetas pequenos o suficiente para se parecerem com a Terra, examinando sua atmosfera em busca de oxigênio, água, metano e outras substâncias favoráveis à vida.

Com tudo isso, cresce a chance de que evolua vida complexa e, quem sabe, inteligente – embora ninguém tenha a menor idéia de quão freqüente é a aparição desses tipos de ser vivo.