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Fastfone

Com a chegada das linhas digitais nos próximos meses, o Brasil passará a ter telefones ultra-rápidos. Os celulares e aparelhos comuns conectados às novas redes prometem deixar os atuais no chinelo.

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h39 - Publicado em 31 out 1997, 22h00

Ricardo Balbachevsky Setti

Celular digital vem para arrasar

Funcionando no Brasil desde 1992, o celular tornou-se logo desejado por muitos. Só que o serviço foi projetado para atender a poucos e acabou virando piada. Hoje estima-se que apenas 18% das ligações tentadas com os celulares se completem. Por isso, há grande expectativa quanto à estréia em 98 da Banda B (veja no infográfico abaixo o que é uma banda), recém-privatizada. A ansiedade faz sentido. Embora fisicamente quase não haja diferença entre ela e a Banda A, usada agora, a aparelhagem que vai ser empregada na nova faixa na maior parte do país, essa, sim, é especial. Ela utilizará a tecnologia digital CDMA (sigla em inglês para Acesso Múltiplo com Divisão por Códigos), que torna a comunicação bem mais rápida e segura. Finalmente vai dar para falar sem sobressaltos e também para ter uma conexão decente do celular com o computador.

O segredo está no sinal, que ao ser transformado em dígitos pode ser comprimido e enviado em maiores quantidades. Haverá ainda uma inovadora rede de antenas: elas atenderão entre cinco e dez vezes mais usuários simultaneamente (veja o infográfico na página ao lado), trabalhando em equipe (veja quadro acima). Assim, vai ficar fácil fazer uma ligação. E difícil perdê-la. Não se sabe ainda quanto custará a linha na Banda B, mas existe a possibilidade de ela ter um preço abaixo das atuais, em função da concorrência. O aparelho, no entanto, será caro. Enquanto hoje consegue-se comprar um analógico por uns 200 reais, o digital mais barato deve custar cerca de 450.

Uma linha que vale por duas

Você vai poder falar com alguém, digamos, na China e ao mesmo tempo receber um arquivo dos Estados Unidos pela Internet. Tudo usando a mesma linha. Essa é uma das mágicas do telefone digital, que chega ao Brasil este mês. Ele é igualzinho ao aparelho que você tem em casa, só que muito mais veloz. Faça as contas. Um modem normal transmite até 33,6 quilobits (algo equivalente a todo o texto desta reportagem) por segundo. As linhas da chamada Rede Digital de Serviços Integrados (RDSI) vão transmitir até 2 000 quilobits por segundo. Para ter uma delas, você não precisará de instalações especiais, mas vai ter que pagar uma assinatura mensal que custará entre 50 e 100 reais e comprar um modem digital, que custa cerca de 1 000 dólares, se quiser conectá-la ao computador.

Quem usa demais o telefone para transmitir dados também não vai gostar da conta no fim do mês.

A tarifa, imagina-se, deve ficar em torno da metade da cobrada hoje para os celulares, o que é caro. Em todo caso, ninguém – que esteja disposto a gastar dinheiro, é claro – vai ficar de fora da revolução nas telecomunicações que está pintando por aí. Nem quem mora nos lugares mais remotos do país. Para essa turma, a novidade vai ser o

Wireless Local Loop (WLL). É o telefone comum, só que, por utilizar ondas de rádio, pode ser instalado onde os cabos não chegaram ainda (veja quadro acima).

São grandes mudanças. E vão fazer diferença. Os países desenvolvidos já contam com essas tecnologias há pelo menos cinco anos. Estava bem na hora de elas chegarem por aqui.

Trabalho em equipe funciona bem

Novo aparelho usa várias antenas ao mesmo tempo.

Monogamia

No sistema analógico, a ligação usa uma antena por vez. Num carro em movimento, quando ele se distancia muito, o celular tem que procurar outra antena. Nesse momento, a ligação pode cair.

Fontes múltiplas

Isso não acontece no sistema digital porque os aparelhos recebem sinais de várias antenas ao mesmo tempo. Se cai o sinal de uma, outras já estão a postos.

Piscina mostra como ondas e antenas se entendem

A Banda B é uma das faixas de freqüência nas quais a informação viaja.

Leve oscilação

Se você joga uma pedrinha na água, vê que se formam pequenas ondas. Assim também se propagam as ondas eletromagnéticas pelo ar.

Todas juntas

Pedras maiores geram movimentos mais acentuados. Imagine que eles não se misturassem com os provocados pela pedrinha anterior.

Sem confusão

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As antenas são sensores específicos, capazes de perceber a altura de cada uma dessas ondas. Assim funcionam as faixas de freqüência.

Estrada cheia, mas sem trombada

A codificação dos dados acaba com as interferências.

Desperdício

No sistema analógico, cada ligação ocupa um pedaço fixo da faixa de freqüência. É como se uma estrada só pudesse ser usada por um carro de cada vez. Por isso, a espera por uma linha pode ser grande.

Baderna organizada

O sistema digital carimba cada ligação com um código diferente (aqui representado pelas cores). Com eles, todas sabem que caminho tomar e podem, portanto, circular no mesmo pedaço da faixa, sem risco de se misturar.

Aproveitamento racional do espaço

Novo sistema pode dividir a faixa de freqüência em pedaços diferentes.

Desequilíbrio

Com o celular analógico, não importa se vão ser transmitidos dados ou apenas conversa. O pedaço da faixa utilizado é sempre o mesmo. Por isso, o sistema é ineficiente para comunicar dados.

A medida certa

O equipamento do celular digital avalia a quantidade de dados a ser transmitida e reserva um trecho da faixa de tamanho apropriado. Assim economiza espaço e melhora a qualidade da transmissão.

Comunicação em qualquer lugar

No campo, ondas de rádio substituem os fios.

Muito dinheiro

Hoje, para ter telefone, é preciso que postes levem cabos até a porta da casa, infra-estrutura cara para locais afastados.

Sem fio

No Wireless Local Loop (WLL), os cabos são dispensáveis. O aparelho é ligado a uma antena de rádio, no telhado da casa.

Tudo igual

Uma central, numa cidade próxima, recebe as ligações pelo ar e as envia pelos cabos normais. O usuário não percebe a diferença.

Conversar e surfar ao mesmo tempo

Com o sistema digital você pode falar e usar a Internet simultaneamente.

Estradinha

Os dois fios do cabo telefônico são como pistas de mão única. Um só leva e outro só traz as informações. Assim, ou você fala ou usa a Internet.

Highway

Na telefonia digital, os mesmos fios ganham mão dupla. Ficam mais velozes e capazes de carregar conversa e dados ao mesmo tempo.

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