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Hubble mostra (BOM) serviço

Telescópio manda fotos inéditas da galáxia conhecida como Grande Nuvem de Magalhães, e, apesar do defeito, conseguiu registrar sessenta estrelas numa área onde se supunha existirem apenas 27.

Nem tudo é frustração na história do Telescópio Espacial Hubble, desde que se descobriu, com o equipamento já no espaço, um defeito de fabricação em um de seus espelhos, que embaça a luz dos astros que capta. Pois, apesar da falha, que restringe o uso daquele que deveria proporcionar imagens nunca antes vistas dos mais remotos rincões do Universo, é nítida a sua superioridade em relação a qualquer telescópio terrestre. Prova disso são as fotos obtidas pelo Hubble do compacto aglomerado de estrelas jovens, muito quentes e maciças da Nebulosa Doradus 30, na galáxia conhecida como Grande Nuvem de Magalhães, a 160 000 anos-luz da Terra. O Hubble registrou sessenta estrelas numa área onde se supunha existirem apenas 27.

A comparação não deixa margem a dúvidas. A imagem superior mostra uma região do aglomerado, registrada pelo telescópio Max Planck, de 2,2 metros, do Observatório Europeu do Sul, no Chile, e processada por computador. A imagem inferior, também digitalizada, foi enviada pelo Hubble: originalmente, por causo do problema do espelho, cada estrela aparecia cercada de um halo indistinto; eliminadas as manchas pelo computador, o resultado é não só um número muito maior de estrelas, mas também formas muito precisas. Exulta Ed Weiler, o cientista da NASA encarregado do projeto: “O Hubble está vivíssimo”.