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O espetáculo colorido das supergigantes

Artigo do astrônomo Augusto Damineli Neto sobre o espetáculo dos astros supergigantes.

Por 31 mar 1992, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h38

Augusto Damineli Neto

As estrelas de grande massa, verdadeiras fábricas de átomos pesados e responsáveis pela evolução química do Universo, estão em destaque no céu (veja matéria nas paginas seguintes). No início da noite, seguindo o rastro da Via Láctea desde as proximidades da constelação de Orion, passando pelo Cruzeiro do Sul, até o Escorpião, e possível selecionar esses astros supergigantes. Partindo do horizonte oeste, encontram-se as populares Três Marias, Mintaka, Alnitak e Alnilam. Simetricamente a elas, estão duas estrelas bem brilhantes: a supergigante vermelha Betelgeuse, ao norte, e a supergigante azul Rigel, ao sul. Para conferir a identificação, estica-se o braço e espalma-se a mão aberta contra o céu. Betelgeuse, então, deve distanciar-se de Rigel cerca de um palmo, que representa uma medida de 20 graus. Seguindo uma linha imaginária que passa pelas Três Marias em direção ao sul, a cerca de 20 grau de Alnilam, está Sirius, a estrela mais brilhante do céu. A uma distancia um pouco maior que essa, para o sul, fica a supergigante amarela Canopus. Não muito longe dela, brilha majestoso o Cruzeiro, acompanhado do par de estrelas brilhantes Alfa e Beta do centauro fáceis de identificar. Entre Canopus e o Cruzeiro do sul, vê-se um grupo e o estrelas comumente confundido com o Cruzeiro, “falsa cruz”.

Para não cometer este erro, note que o Cruzeiro tem a “intrometida” e seu braço maior que 5 graus, o que equivale ao comprometimento do polegar projetados contra o céu, com o braço esticado. Ao lado da “falsa cruz” estão duas estrelinhas muito interessantes: Gama da vale e também Eta de Carina, que há 150 anos era a mais brilhante do céu. Logo acima do horizonte sudeste, pode-se ver mais uma. A vermelha Antares, no coração do escorpião.

Presidente da Sociedade Astronômica Brasileira – pesquisador do IAG/USP – Doutor em Astronomia

Lançada de Júpiter no LeãoQuem observar o maior dos planetas nesta época, nas proximidades do leão, verá o início de sua marcha à ré – movendo-se de leste para oeste, com relação ao fundo de estrelas, e não no sentido inverso. A 1° de maio, ele retomará o curso normal dos planetas, finalizando o que se chama de lançada. Com paciência, ao longo de poucos meses, é fácil acompanhar esse importante fenômeno astronômico.

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Possíveis restos do Halley

Irradiando-se a partir de Aquário, os meteoros Eta Aquarídeos colocam-se no caminho da Terra, mergulham na atmosfera a 213 000 quilômetros por hora e entram em combustão. No dia 4, essa chuva incandescente atingirá a taxa máxima de 10 meteoros por hora, com boa visibilidade (céu escuro devido ao início da fase crescente da Lua). Mesmo assim, é melhor ficar longe da cidade e escolher as altas horas da madrugada. Deve-se fixar um ponto a leste, a uma boa altura acima do horizonte e armar-se de paciência para ver esses possíveis pedaços do Halley.

Astros brilhantes ao lado da lua

Castor e Polux – dia 10 de abril
Regulus – dia 12 de abril
Júpiter – dia 13 de abril
Spica – dia16 de abril
Antares – dia 19 de abril

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Planetas

Mercúrio: visível a partir de 3 de abril, ao amanhecer, próximo do horizonte leste. Melhor época para observação em torno de 23 de abril (magn. 0,6)

Vênus: ainda visível, já começa a mergulhar no clarão do amanhecer (magn. -3,9).

Marte: visível em Aquário pouco antes do nascer do Sol (magn. 1,1)

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Júpiter: bem visível em Leão desde o início da noite. Aproximando-se de Regulus até 31 de abril, quando inventará seu curso do sentido oeste para leste (magn. -2,4)

Saturno: visível no Capricórnio a partir da 1 hora da madrugada (magn. 0,8)

Urano, Netuno e Plutão: invisíveis a olho nú.


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