Ele foi feito para transportar coisas que nunca couberam em avião nenhum. Por isso, é a maior aeronave do mundo em termos de compartimento de carga – os 7,4 metros de diâmetro são um recorde entre as suas concorrentes. O Airbus A300-600ST tem formas que lembram um golfinho e medidas colossais: 56,15 metros de comprimento, 17,24 metros de altura e 44,83 metros de envergadura (a distância entre a ponta de uma asa e a ponta da outra).
A cabine do piloto quase desaparece sob a imensa porta do bagageiro, de 7,5 metros de altura – mais do que um prédio de dois andares. Dentro dele pode-se colocar, por exemplo, dois helicópteros inteirinhos, sem que precisem ser desmontados.
O protótipo desse supercargueiro ficou pronto em junho deste ano, mas está programado operar somente em 1995. Capaz de carregar até 45,5 toneladas, ele foi projetado para resolver um dos grandes problemas da Airbus, sua fabricante: o transporte de fuselagens e asas dos jatos comerciais (produzidos em suas subsidiárias na Alemanha, Inglaterra, Espanha e Holanda), até a linha de montagem final, na França.
O A300-600ST representa uma evolução importante para os aviões cargueiros. Pois, desde o surgimento do Junker Ju.38, em 1929, até hoje, o desenvolvimento dessas aeronaves sempre levou em consideração, em primeiro lugar, o peso da carga em vez do espaço interno destinado a ela (veja ilustração). É essa a diferença do novo avião da Airbus, cujo design prioriza o tamanho da carga.
Em tonelagem, os campeão atual é o russo Antonov An-124 Ruslan. Criado em 1986, ele passou a operar comercialmente a partir de 1991. Tem 69,1 metros de comprimento, 20,78 metros de altura e 73,3 metros de envergadura. Embora transporte até 150 toneladas, o diâmetro de seu bagageiro mede apenas 6,4 metros.
Ainda maior, o An-225 tem um bagageiro igual ao do An-124. Mede 84 metros de comprimento, 18,2 metros de altura e envergadura de 88,4 metros. Apesar da incrível capacidade (250 toneladas), o An-225 não está disponível para o transporte de cargas comerciais: opera exclusivamente para o exército russo.
Marcelo Affini e Cláudio Lucchesi