Ciência Maluca Ciência Maluca

Por Atualizado em 19/05/2016

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A verdade às vezes machuca. Ainda mais quando vem de alguém em quem você confia, com quem conta nas horas difíceis. Mas é melhor saber agora, mudar logo seu comportamento e expectativas, do que se decepcionar mais tarde, na hora do aperto, com possíveis amigos. Aí vai: metade dos camaradas que você julga ser um amigo, não pensa o mesmo de você.

É o que descobriram pesquisadores do Instituto de Massachusetts. Eles reuniram 84 pessoas em uma mesma sala e fizeram um pedido: classifique, em uma escala de 1 a 5 (de “não conheço essa pessoa” até “é um dos meus melhores amigos”), todos os participantes. Em seguida, teriam de prever como outras pessoas os classificariam.

E o resultado foi decepcionante – pelo menos para a maioria dos voluntários. Quem se dizia amigo de alguém esperava que o sentimento fosse recíproco. Mas nem sempre era o que acontecia. Metade de todas as amizades reportadas na pesquisa eram platônicas.

É que, de acordo com o estudo, as pessoas gostam de dizer que são amigos de quem é mais popular ou mais rico e poderoso. Só que o outro lado, por ter mil baba-ovos na cola, tende a escolher melhor quem considera mesmo amigo.

Ficou desapontado? Bem, outra pesquisa já tinha alertado: você só tem quatro amigos com quem pode contar de verdade.

Créditos da foto: :Istock/svetikd

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Por Atualizado em 10/05/2016

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Uma pilha de e-mails importantes se acumula na caixa de entrada, a página do Word continua com apenas três linhas de texto – e você continua travado sem saber como desenvolver aquele relatório urgente. Ainda assim, você insiste em passar o tempo no Whatsapp ou vendo vídeos engraçados no Youtube. Não se preocupe. A ciência comprova mais uma vez: procrastinar deixa você mais criativo.

Quem defende a ideia dessa vez é Adam Grant, psicólogo organizacional da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Em uma palestra do TED, ele conta sobre um estudo em que voluntários passaram um tempo jogando videogame antes de participar de teste sobre criatividade. E eles tiveram ideias muito mais originais e inovadoras do que os outros.

Mas não adianta se perder na procrastinação antes de ter iniciado qualquer tarefa. Só funciona quando você pensa a respeito do que precisa fazer (um texto, um projeto, etc) e, então, tira um tempo para relaxar. Aí a criatividade aparece.

É que seu cérebro funciona de um jeito fácil de entender. Quando você está focado, sua mente não viaja. É como se o foco fizesse você ver apenas o palco, ao invés de reparar no teatro todo. A procrastinação desliga esse botão do foco e faz sua cabeça viajar – e aí fica livre para fazer novas e originais associações.

“Quando você sabe que vai trabalhar em um determinando problema e, aí, começa a procrastinar, a tarefa continua ativa na parte de trás da sua mente”, explica Grant. “É quando você começa a incubar a ideia. Procrastinação te dá tempo para considerar ideias divergentes, para pensar de formas não lineares, fazer conexões inesperadas”, conclui.

 Créditos da foto: istock

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Por Atualizado em 28/04/2016

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Álcool engorda mesmo, não tem como fugir disso. Mas um ingrediente mágico do lúpulo presente na cerveja pode ajudar a reverter esses ganhos calóricos: o xanthohumol.

Um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos testou o efeito dessa substância em ratos. Todos eles tiveram uma mudança na dieta – passaram a consumir bem mais calorias. Além disso, diariamente recebiam doses diferentes de xanthohumol.

Todos, claro, engordaram. Porém, quem havia recebido uma quantidade maior do ingrediente do lúpulo terminou a experiência com um peso 22% menor do que os outros. Mais do que isso, esses ratos mostraram índices mais baixos de colesterol ruim e insulina no sangue, reduzindo as chances de desenvolver hipoglicemia.

Boa notícia, não? Só tem um problema: os ratos tomaram 60mg de xanthohumol por cada quilo do peso deles. Se você quisesse adotar essa “dieta da cerveja” precisaria tomar mais de 3 mil garrafas por dia. Aí não tem corpo que resista.

Crédito da foto: Istock/Halfpoint

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Por Atualizado em 20/04/2016

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No começo da década de 1960, Stanley Milgram, psicólogo e cientista social, fazia coro aos incrédulos que, em choque, se perguntavam como os alemães haviam caído no papo dos nazistas e permitido tantas atrocidades. Hitler e seus comandados se consagraram como monstros da persuasão. Mas Milgram suspeitava que o peso da farda e do cargo deles contava muito na hora de convencer a população. Não era o padeiro quem pregava em prol de uma raça pura e ariana. Era o presidente do país, um homem inteligente, junto a todos os membros do alto escalão do governo. Eram autoridades. Como poderiam eles, simples cidadãos, contestar aquela enxurrada de ideias inovadoras vindas dos líderes da nação? Se contestassem poderiam ser acusados até de impedir a evolução da humanidade.

Milgram decidiu envolver voluntários em um experimento pernicioso. Submeteria um participante a choques cada vez mais pesados, aplicados justamente por pessoas comuns. A cena seria a seguinte: dois voluntários chegariam ao laboratório e receberiam as instruções de um pesquisador. Participariam de um experimento para provar que o ser humano, assim como outros animais, aprende com o erro quando sofre uma punição: só apanhando deixa de fazer besteira. A sorte definiria os papéis: um deles viraria professor e o outro, aprendiz. A missão do aluno seria responder corretamente às perguntas do professor. Se errasse, levaria um choque do professor, que ficaria mais forte a cada deslize dele. Os dois ficariam em salas separadas e só um canal de áudio ligaria os dois. Só que junto ao voluntário que fizesse o papel do professor estaria um dos pesquisadores. Ele representava a autoridade ali. E, quando o professor ameaçasse sentir dó do outro participante, o pesquisador o lembraria sobre a missão. Afinal, ali havia, sim, um experimento em andamento. Se ele desistisse tudo iria por água abaixo.

Mas havia uma pegadinha na história. Na verdade, o cara ou coroa que definia quem seria o aluno e quem seria o professor era uma farsa. Um ator, contratado pelos pesquisadores, sempre seria o azarado a virar o aluno e receber os choques. Os choques, por sua vez, também eram falsos. O ator havia gravado áudios com gritos de dor e reclamações antes da chegada do “professor”. E a cada choque tomado (ou melhor, não tomado) ele se divertia na sala ao lado, colocando o som de dor. O voluntário no papel do professor seria o único a não saber que aquilo não passava de encenação.

O primeiro voluntário chegou ao laboratório da Universidade Yale, nos Estados Unidos, onde seria conduzida a pesquisa, e logo venceu na sorte e virou o professor. “Quão perigosos são esses choques?”, perguntou ao pesquisador. “Não são perigosos, só causam dor. Mais alguma coisa?”, respondeu friamente o pesquisador. “Não, isso é tudo.” O ator-aluno ficou lá, supostamente entregue ao azar, enquanto pesquisador e professor fecharam a porta e caminharam para a outra sala.

O professor começou a ler uma série de duplas de palavras (ex: dia azul; menina legal) em voz alta. A tarefa do aluno era memorizá-las. Na sequência, o professor embaralhava as palavras (ex: legal azul; menina dia) e o aluno precisava reencontrar os pares. Em frente ao professor, havia um painel com vários botões para acionar os choques, que começavam em 15 volts e terminavam em 450 volts, o suficiente – na vida real – para matar alguém.

Lá pelo quarto choque, o ator liberou um áudio mais tenso. “Ai! Pesquisador! Isso é tudo, me tire daqui. Eu falei que tenho problemas cardíacos e meu coração está começando a me incomodar.” O professor hesitou, olhou para o pesquisador. Deveria continuar. “Por favor, continue, professor.” “Bem, eu não vou ser responsável pelo que acontecer aqui”, replicou o professor, a verdadeira cobaia desse experimento. Seguiu em frente, leu em voz alta uma nova sequência de palavras. Um silêncio tomou a sala ao lado. O professor permaneceu parado, à espera da resposta. “Por favor, o experimento requer que você continue, professor”, insistiu o pesquisador. Ele, então, disparou um choque de 245 volts.

Entre os 40 voluntários testados, todos, sem exceção, chegaram até os 300 volts. E 65% deles seguiram até o fim com o experimento. Mesmo quando o aprendiz, após reclamar muito e apelar para problemas cardíacos, se calava lá dentro, sem dar sinais de vida, a maioria seguiu com os choques. Até chegar aos 450 volts. Ao final, o pesquisador explicava que não havia choque qualquer. E, para alívio do professor, o ator saía da sala vivo e sorridente.

Milgram, o chefe da pesquisa, repetiu o experimento mais 18 vezes, em lugares diferentes. Segundo ele, as pessoas seguem em frente por confiar nas autoridades. “A extrema vontade dos adultos de ir longe para atender ao comando de uma autoridade constitui o maior achado do estudo”, escreveu o cientista. Quando ele mudou o local de experiência para um escritório qualquer, fora da universidade, a taxa de obediência caiu. Ao colocar uniforme nos pesquisadores ou convidar dois professores, em vez de apenas um, novamente, a maioria dos voluntários levava os choques até o fim. Quanto mais profissional pareciam o ambiente e os pesquisadores, menos responsáveis os participantes se sentiam. E maiores as chances de completar o teste. Mulheres se mostraram tão dispostas e obedientes quanto os homens. E todos acabavam “matando” suas vítimas, seguindo os comandos da autoridade.

Altruísmo genuíno só acontece mesmo entre macacos. Pesquisadores de Chicago criaram um sistema de recompensa de comida. Um grupo de macaco reso puxava uma corrente para receber alguns alimentos. Funcionava bem. Até que perceberam: toda vez que aquilo acontecia, outro macaco da gaiola ao lado recebia um choque elétrico. E então pararam. Preferiam passar fome a causar sofrimento a outro colega. Uma lição e tanto para nós humanos.

ps: Curtiu? Essa história faz parte do livro Ciência Maluca, à venda aqui e aqui.

Por Atualizado em 12/04/2016

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Deixe o hambúrguer e a pizza de lado e vá comer uma coisa mais saudável, amigo. Pelo bem da sua inteligência.

A dica é de um estudo americano que testou o efeito de junk food no cérebro de ratos. Ao longo de alguns meses, os bichinhos voluntários foram divididos em dois grupos: uma parte consumiu ração com 60% de gordura, enquanto outros se alimentaram com comidas mais leves, com apenas 10% de gordura.

Os animais do primeiro grupo, como era de se esperar, ganharam muito mais peso durante o experimento do que os outros. E os quilinhos extras pesaram no funcionamento do cérebro: eles registraram menos sinapses no hipocampo, centro de memória e aprendizagem.

É que os alimentos mais gordos estimulam a produção de células que destroem as sinapses. Com a piora na comunicação entre os neurônios, fica mais difícil aprender e memorizar qualquer informação.

Crédito da foto: Niklas Rhöse

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