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Posts da categoria ‘suicídio’


É nos lugares mais felizes que acontecem mais suicídios

Thiago Perin 26 de novembro de 2010

8 ou 80

A gente sempre ouve falar por aí que países considerados de “primeiro mundo”, como Dinamarca, Suíça e Suécia, têm a melhor qualidade de vida no planeta. E que, por consequência, seus habitantes estão entre os mais satisfeitos do mundo. A parte estranha é que esses “lugares felizes” têm taxas bem altas de suicídios. “Por causa do frio”, a gente brinca. Mas será? Pesquisadores dos departamentos de economia da Universidade de Warwick, do Hamilton College e do Banco Central de São Francisco, todos nos EUA, foram checar.

Eles combinaram dados de duas grandes pesquisas (a World Values Survey e a U.S. General Social Survey) para ver qual era a relação entre a felicidade do povo e a quantidade de pessoas que se mata em diferentes estados dos EUA. E a análise mostrou que a anormalidade é verdadeira: “os estados mais felizes têm maiores taxas de suicídio do que aqueles que são menos felizes”, aponta o estudo (que está disponível, na íntegra, aqui). “Por exemplo, Utah está em 1º lugar em satisfação com a vida, mas tem a 9ª maior taxa de suicídio. Enquanto isso, Nova Iorque é o 45º estado mais feliz, mas tem o menor índice de suicídios nos EUA”.

E a culpa, óbvio, não é do frio. “Pessoas infelizes em um lugar feliz podem se sentir especialmente maltratadas pela vida“, sugerem os pesquisadores.”Como somos sujeitos a variações de humor, as baixas podem ser mais toleráveis em um contexto – seja uma época ou um lugar – no qual outras pessoas também estejam infelizes“. Ou seja: choremos juntos.

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Fãs de ópera são mais propensos ao suicídio

Thiago Perin 15 de outubro de 2010

É, amiga, não está fácil para ninguém

Para quem gosta de ópera, a tragédia pode não acabar quando a cortina fecha. Quem diz é o pesquisador Steven Stack, da Wayne State University (EUA). “Embora estudos anteriores já tenham documentado que o suicídio é uma causa de morte extraordinariamente frequente em óperas, as consequências (dessa tendência) ao público não foram exploradas”, diz o cara. Então, foi ele explorá-las – mais especificamente, o que ele chama de Efeito Madame Butterfly (“Madame Butterfly” é uma ópera italiana bem famosa, na qual, SPOILER, a protagonista enfia uma faca no ventre no final): o suicídio em caso de desonra. (Honra, cada um sabe da sua, né?) “Pessoas que são atraídas ou influenciadas pela subcultura da ópera são mais propensas a aceitar o suicídio em caso de perda da honra”, aponta. E, analisando dados do censo norte-americano, ele descobriu que os fãs de ópera são 2,37 vezes mais propensos do que os “não fãs” a cogitar o suicídio nesse cenário. “Só duas variáveis, religiosidade e educação, estão mais proximamente relacionadas à propensão ao suicídio do que gostar de ópera”. Que drama!

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Thiago Perin 9 de setembro de 2010

Alegria de viver

Alegria de viver

Quem sofre mais com o fim do casamento: o homem ou a mulher? É relativo, claro. Mas quem tem maior tendência a botar o pézinho para fora do parapeito quando o relacionamento acaba, segundo o pesquisador Eiji Yamamura, da Universidade de Seinan Gakuin (Japão), é o homem. Ele analisou registros de divórcios e suicídios do Ministério da Saúde, Trabalho e Previdência do Japão ao longo de 13 anos e viu que, quando o divórcio é finalizado, os ex-maridos ficam cerca de duas vezes mais propensos ao suicídio do que as ex-mulheres.

Mas não é exatamente o coração que dói – é o bolso. O empurrãozinho para acabar com a própria vida é o desfalque financeiro: de acordo com o estudo, a tendência ao suicídio aumenta “graças aos ‘custos de compensação’ que os homens tendem a pagar às mulheres após o divórcio”. Outra razão para o “fenômeno”, segundo o cara, é que as mulheres tendem a participar menos do mercado de trabalho e, portanto, têm mais tempo livre para “socializar” do que os maridos. E essa interação social maior diminui as tendências suicidas. (Pensando naquele modelo tradicional de “marido que trabalha fora e esposa dona de casa”.)

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Thiago Perin 27 de agosto de 2010

Família feliz

Família feliz

Ano eleitoral é – fácil, fácil – estação de ver gente desiludida por aí. Mas também tem coisa boa nesse circo todo. Pesquisadores dos EUA analisaram os registros de suicídios ocorridos durante eleições presidenciais de lá entre 1981 e 2005 e observaram que, em estados onde a maioria dos eleitores apoiava o candidato vencedor, as taxas de suicídio diminuíram. Até aí, tem uma lógica óbvia na coisa: seu preferido ganhou, você fica feliz.

Mas… “Ao contrário do esperado, as taxas de suicídio diminuíram ainda mais nos estados onde a maioria dos eleitores apoiava um candidato derrotado. Os índices foram 4,6% menores entre os homens e 5,3% menores entre as mulheres”, diz o estudo.

Os autores creditam esse fenômeno ao “poder da coesão social”. E explicam: “é claro que apoiar o candidato perdedor é uma droga. Mas se todos ao seu redor também o apoiaram, não é tão ruim, porque você se sente conectado a essas pessoas, à sociedade” – sentimento que (até certo ponto, é claro) dá um up na alegria de viver e afasta as ideias suicidas.

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