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Sangue de cordão umbilical humano melhora memória em ratos velhos

Injeção de plasma sanguíneo do cordão umbilical contém proteína que melhora memória de curto prazo em ratos idosos – e tem potencial para tratar Alzheimer

Ratinhos de laboratório idosos e senis recuperaram memória e outras funções cerebrais após receber uma injeção de plasma sanguíneo do cordão umbilical de um bebê humano.

Não, a criança doadora em questão não é a fonte da juventude – na verdade, a proteína responsável pelo truque, chamada TIMP2, está presente em todos nós nos primeiros anos de vida. Estudos anteriores já haviam testado e comprovado os efeitos benéficos de sangue de ratos mais novos no cérebro de seus avós, mas essa é a primeira vez que a terapia exótica dá certo entre mamíferos de espécies diferentes.

No laboratório, a equipe do neurocientista Joseph Castellano, da Universidade de Stanford, injetou o plasma sanguíneo de seres humanos de várias idades em ratos velhinhos, com problemas de memória e cognição. Os anciãos eleitos para a experiência foram os que, antes do tratamento, falharam em dois testes: um era escapar de um labirinto. O outro, lembrar da localização, no interior de suas gaiolas, de máquinas que davam pequenos choques – e evitar uma trombada desagradável com elas, é claro.

Segundo o artigo científico, o número de conexões entre o hipocampo e as demais partes do cérebro aumentou apenas nos ratos que receberam injeções de cordão umbilical – a melhora também se manifestou na prática, em novos testes na jaula e no labirinto. O hipocampo é a região do cérebro responsável pela memória de curto prazo, e sua degeneração está por trás de doenças como o Alzheimer.

Ainda não há uma explicação para os resultados. A proteína TIMP2, em princípio, não está associada a memória dos mamíferos, e é bem provável que tenha atuado de maneira indireta sobre o cérebro dos pequenos animais – incentivando o metabolismo ou o sistema imunológico, de acordo com pesquisadores sem participação no estudo entrevistados pela Nature. Para ter certeza de que a TIMP2 era mesmo a responsável pela recuperação, a equipe de Castellano também injetou plasma sem essa proteína específica nos ratos – e eles ficaram na estaca zero.

Nos animais, a TIMP2 é responsável pela manutenção da matriz extracelular – a massa de colágeno e outras substâncias que preenche o “espaço” entre as células. Em outras palavras, ela te mantém colado, e, em última instância, evita que você vire uma enorme geléia.

Ainda é cedo para pensar em injeções de TIMP2 como tratamento para doenças neurodegenerativas, e ainda serão necessários anos de pesquisa e desenvolvimento para entender como e porque ela funciona. Além disso, a proteína não incentiva a regeneração de áreas do hipocampo que já estão destruídas – o que ela faz é aumentar o número de conexões entre os neurônios que ainda existem. Em outras palavras, é um alívio, mas não uma solução.