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Substância presente na pele de sapo destrói o vírus da gripe

Descoberta por cientistas indianos, a "urumin" apresentou boa eficácia no combate de dezenas de tipos de gripe humana

A pele dos anfíbios tem essa aparência lustrosa e até meio gosmenta porque é revestida por uma espécie muco. Para que consigam dar seus passeios fora d’água sem ficarem ressecados, os sapos precisam manter seu exterior úmido – e essa “cera” ajuda na tarefa. Cientistas indianos descobriram, no entanto, uma função ainda mais nobre para essa solução viscosa: o combate ao vírus da gripe. Utilizando uma substância que encontraram na pele da Hydrophylax bahuvistara, espécie de sapo encontrada no sul da Índia, os pesquisadores conseguiram destruir vários tipos de vírus da gripe em células humanas. Os resultados do estudo foram publicados no periódico científico Immunity.

Todos os seres vivos têm em seu corpo diferentes proteínas que atuam como defensoras do organismo. Os sapos costumam ser utilizados em estudos de doenças virais e bacterianas por conseguirem fornecer essas substâncias mais facilmente – dar um choque elétrico ou esfregar um pó na pele deles já resolve, fazendo com que eles secretem seu peptídeos de defesa.

Dessa forma, a equipe analisou a eficácia das substâncias de defesa produzidas por 32 espécies de sapos da região sul da Índia, a fim de verificar seu potencial antiviral. Quatro delas foram consideradas eficientes contra a nossa gripe comum. Porém, ao serem testadas em laboratório com hemácias humanas verdadeiras, três se mostraram tóxicas. A única proteína que se salvou foi a produzida pela Hydrophylax bahuvistara – nomeada posteriormente pelos cientistas como “urumin”. Sem prejudicar o organismo, a substância conseguiu combater dezenas de formas diferentes de vírus da gripe.

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Uma das variedades mais comuns de gripe, a gripe suína teve seu nome técnico popularizado na última epidemia mundial. “H1N1” é mais que uma sequência de letras e números, já que explica a composição de seu vírus causador – que combina duas proteínas, a hemaglutinina de tipo 1 e a neuraminidase de tipo 1. A ação da “urumin” vai justamente aí. Ao bloquear a atuação da hemaglutinina, a substância consegue causar a morte do vírus, impedindo que novas células sejam infectadas.

De acordo com os pesquisadores, o nome “urumin” faz alusão à urumi, espada flexível que mais parece um chicote – e é bastante comum em Kerala, província indiana em que o sapo do estudo pode ser encontrado. Os pontos em comum que aproximam a substância e a arma, no entanto, não foram muito bem explicados pelos cientistas. Quem sabe a referência esteja em sua boa eficácia: ambas sabem “cortar” o mal pela raiz.