A ciência de um rolo de papel higiênico

por Gilherme Castellar

As pessoas só costumam valorizar de verdade o papel higiênico quando ele falta. E olha que ele faltou por muito tempo. Durante milhares de anos, a humanidade se virava como dava na hora da limpeza (confira abaixo). O primeiro registro da produção de papel para uso no toalete vem da China, em 1391, com grandes folhas feitas para o imperador. Mas quem é apontado como inventor do papel higiênico é o americano Joseph Gayetty. Em 1857, sua empresa passou a vender blocos de 500 folhas do “Papel Terapêutico”, que vinha misturado com aloe vera. O papel só foi enrolado em um tubo (chamado de tubete) em 1890, pela empresa americana Scott Paper Company. A idéia, que não foi muito bem aceita na época, hoje é item essencial nos banheiros do mundo. A evolução na tecnologia de produção do papel trouxe estampas, cores e maciez que tornam um pouco menos ardida uma obrigação da qual não podemos escapar.

Mistureba

A folha do papel é a mistura de até 4 tipos de fibras. É o equilíbrio entre elas que define a qualidade do papel. Quanto mais fibras curtas, melhor, pois elas garantem a maciez. Mas as fibras longas também são vitais, pois garantem que o papel não se rasgue com facilidade. A técnica na fabricação das fibras também influi no resultado final.

Bálsamo do campo

Pasme, mas aqueles aromas florais na verdade vêm do tubete. O perfume é jorrado na parte interna do tubete, antes do papel ser enrolado. Como ele é volátil, as moléculas enchem o ar dentro da embalagem, impregnando o papel. Por falar em tubete, ele é feito com duas tiras de papel cartão coladas pelas laterais.

A união faz a força

A resistência do papel varia conforme suas fibras. Quanto mais próximas, mais resistente. Outro fator está ligado à composição química das fibras. Elas se unem por ligações de hidrogênio: quanto mais potencial de ligação tiver, mais resistente é o papel.

Lixas

Um sinal de má qualidade é o uso de papel reciclado para baratearo produto. Outro aviso são os pontinhos escuros e grossos: mostram que a pasta do papel foi prensada de modo errado, ficando concentrada em alguns pontos. Já a cor só tem objetivo estético. O fato de o papel ser rosa ou cinza não é indicador de qualidade.

Esforço mínimo

O picote na folha permite que qualquer criança destaque. Mas a resistência do papel varia: no sentido longitudinal ao que é enrolado, a resistência é maior. Isso evita que se parta quando puxado. No sentido transversal, a resistência é menor, facilitando o corte.

Coisa fofa

As estampas e os pequenos pontos em relevo não são apenas para decoração. Eles mantêm boa parte da superfície entre os papéis distante. É o ar nesse espaço que dá a sensação de fofura de um rolo de papel higiênico.

 

Veja como era feita a limpeza antes do papel higiênico

Inglaterra na época dos vikings - Pedaços de lã de carneiro.

Índia - A mão esquerda e água.

Nobres franceses - Lenços.

Europa medieval - Grama, palha.

Havaí - Casca de coco.

Lordes ingleses - Páginas de livros.

EUA - Jornais, concha do mexilhão, areia, espigas de milho.

Esquimós - Gelo e musgo da tundra.

 

publicidade

anuncie

Super 335 - O perigo do glúten Ele está em tudo que você gosta, age sobre o seu cérebro e pode ser a causa da epidemia global de obesidade. Afinal, glúten faz mal mesmo? Assine a Super Compre a Super

Superinteressante ed. 335
julho/2014

O perigo do glúten
Ele está em tudo que você gosta, age sobre o seu cérebro e pode ser a causa da epidemia global de obesidade. Afinal, glúten faz mal mesmo?

- sumário da edição 335
- folheie a Superinteressante

Você está na área: Cotidiano

publicidade

anuncie