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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 12 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

FDA libera teste que procura o coronavírus nas células T

Por Bruno Garattoni Atualizado em 17 mar 2021, 15h01 - Publicado em 17 mar 2021, 14h09

Novo exame é o único que permite descobrir, sem limite de tempo, se a pessoa foi contaminada pelo Sars-CoV-2 no passado – e pode ajudar no tratamento da “Covid longa”, em que os sintomas persistem meses após a infecção

Existem dois tipos de exame para detectar o coronavírus: o teste de anticorpos, que diz se a pessoa foi exposta ao Sars-CoV-2 em algum momento, e o teste RT-PCR, que detecta fragmentos do vírus e revela se a pessoa está infectada naquele instante. Ambos têm seus poréns. Como os níveis de anticorpos caem naturalmente com o tempo, os testes dessa categoria podem dar falso negativo se aplicados meses após a infecção. O RT-PCR (e o RT-LAMP, similar) é mais preciso, mas também tem um ponto cego: só gera resultados confiáveis durante o período de infecção ativa (tende a dar falso negativo depois, pois o corpo elimina o vírus ao debelar a infecção). 

Um terceiro tipo de teste, que foi desenvolvido pela empresa de biotecnologia Adaptive Biotech e recebeu autorização da FDA para uso nos Estados Unidos, promete resolver os dois problemas. Ele se chama T-Detect, e procura rastros do coronavírus nas células T – que atacam diretamente o vírus, destruindo células que estejam infectadas, e são capazes de construir uma memória imunológica contra ele.  

O novo teste, que demonstrou 97,1% de acerto no teste clínico submetido à FDA, é feito com uma amostra de sangue. As células T são isoladas e seu código genético é analisado em busca de sequências compatíveis com o Sars-CoV-2 – se estiverem presentes, elas indicam que a pessoa foi infectada pelo vírus (pois o sistema imunológico guardou um registro desse patógeno). 

O processo é parcialmente automatizado, e usa um algoritmo de machine learning desenvolvido pela Adaptive em parceria com a Microsoft. Mesmo assim, o T-Detect não é barato: US$ 150. A ideia é que ele complemente os demais exames, podendo ser especialmente útil contra a “Covid longa”: casos em que a pessoa continua tendo sintomas meses após a suposta infecção – que, como ocorreu há bastante tempo, já não pode ser confirmada pelos testes tradicionais.   

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