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Bruno Garattoni Por Bruno Garattoni Vencedor de 13 prêmios de Jornalismo. Editor da SUPER.

Variante Delta já responde por 1 em cada 4 infecções por coronavírus na cidade de São Paulo – e mostra potencial para substituir a Gama

Por Bruno Garattoni Atualizado em 4 ago 2021, 18h24 - Publicado em 4 ago 2021, 15h06

Em menos de um mês, Delta saltou de 0% para 23,5% dos casos, segundo levantamento genômico do Instituto Adolfo Lutz; alta prevalência da variante Gama no Brasil levantou a hipótese de que ela poderia frear a ascensão da Delta – mas isso não está ocorrendo

Desde o início da pandemia, as variantes do coronavírus competem entre si. A primeira a ter sucesso nisso foi a D614G, que se espalhou pelo mundo ao longo de 2020 – praticamente erradicando a cepa original, de Wuhan. Depois vieram as variantes Alfa (descoberta na Inglaterra), Beta (África do Sul) e Gama (Manaus), mais contagiosas. A Gama se tornou dominante no Brasil justamente porque é mais transmissível e acaba ocupando todos os hospedeiros disponíveis, evitando que outras variantes consigam se propagar. Por isso, havia a expectativa de que, no Brasil, ela poderia impedir ou desacelerar o avanço da variante Delta – que já domina países como os EUA (onde responde por 83% dos casos, Inglaterra (90%) e Israel (99%). 

Não é o que está acontecendo. Um relatório produzido pelo Instituto Adolfo Lutz, do governo paulista, revelou que a Delta já responde por 23,5% das infecções por coronavírus na cidade de São Paulo. Isso ocorre menos de um mês após a identificação do primeiro caso de Delta na cidade, que foi reportado no dia 5 de julho, e mostra que a variante consegue se espalhar rapidamente mesmo sofrendo competição da Gama. Por enquanto, o foco da Delta é a capital – no Estado como um todo, a incidência dela ainda é de apenas 4%. 

A variante Delta é considerada a mais transmissível de todas as identificadas até hoje: é 40% a 60% mais contagiosa que a Alfa, que já era 50% mais contagiosa que a cepa original. A Delta se reproduz mais facilmente dentro do organismo, e por isso os infectados apresentam alta carga viral – até 1.260 vezes maior do que com outras variantes. Quanto maior a quantidade de vírions (unidades do vírus) presente no corpo do infectado, principalmente nas vias aéreas superiores, maior a possibilidade de que ele transmita o Sars-CoV-2 a outras pessoas. 

As vacinas continuam oferecendo proteção superior a 90% contra Covid grave, mas não impedem que a Delta se espalhe, pois pessoas imunizadas também podem pegar e transmitir o vírus – ainda que, na grande maioria dos casos, não desenvolvam sintomas graves

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