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Literal Por Blog Respostas para as perguntas que surgem entre a primeira e a última página e outras notas de rodapé sobre livros fundamentais – e outros nem tanto. Por Pâmela Carbonari

Os 6 livros de não-ficção mais importantes de 2017

Por Pâmela Carbonari - Atualizado em 10 Maio 2018, 16h45 - Publicado em 22 dez 2017, 19h24

Leonardo Da Vinci, Walter Isaacson

Ex-editor da Time e autor das biografias de Steve Jobs e Einstein, Isaacson se debruçou sobre os cadernos que Da Vinci manteve durante a vida e as recentes descobertas sobre sua obra para descrever quem foi o autor da Mona Lisa e uma das mentes mais versáteis da história. Mas esqueça o Da Vinci exemplo intocável de homem renascentista e completo. Expor as peculiaridades do inventor, como não comer carne, ser gay e ter problemas de atenção, é o que torna a biografia ainda mais genial e humana.

Fome, Roxane Gay

Aos 12 anos, Roxane Gay sofreu um estupro coletivo. Manteve o abuso em segredo, e para lidar com o trauma, passou a comer compulsivamente. Seu corpo virou um escudo, uma tentativa de se proteger contra os olhares e ameaças que ela queria afastar. Fome é a autobiografia honesta e corajosa de uma mulher obesa que narra como é a vida quando se tem um corpo que todos se acham no direito de opinar, um corpo que luta para ser aceito pelos outros e, acima de tudo, por ela.

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Na minha pele, Lázaro Ramos

Esqueça a onda das biografias chapa branca que está lotando as livrarias. Neste livro, Lázaro Ramos traz experiências pessoais e relatos íntimos para compartilhar com o leitor suas reflexões sobre tomada de consciência, família, respeito às diferenças e pluralidade cultural e racial. Na minha pele é sobre a importância do diálogo que não descamba para os radicalismos fáceis. O livro é um convite inteligente e sincero para ouvir e entender quem nos cerca, um manifesto de empatia escrito por uma das vozes mais representativas da cultura brasileira.

 

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Prisioneiras, Drauzio Varella

Depois do sucesso de Estação Carandiru (1999) e Carcereiros (2012), o médico mais confiável do país terminou sua trilogia sobre o sistema carcerário brasileiro com as mulheres como protagonistas. Prisioneiras é um relato terrivelmente verdadeiro sobre a realidade da Penitenciária Feminina da Capital, que abriga mais de duas mil mulheres, onde Drauzio atendeu por mais de 11 anos. A solidão das detentas, a liberdade sexual no cárcere, as semelhanças com a prisão masculina, as particularidades de um presídio feminino e como a sociedade lida com uma mulher presa são alguns dos assuntos narrados nesta obra que encerra um corajoso ciclo literário. Uma prova de 296 páginas de que a sensibilidade por trás de um bom médicos pode ser a mesma que constrói um escritor talentoso.

 

Mindset – a nova psicologia do sucesso, Carol Dweck

Se você tem aversão a estrangeirismos, respire fundo: o que dá título a esse livro merece ser relevado pela obra que batiza. Carol Dweck é professora de psicologia da Universidade Stanford e há décadas estuda como reagimos ao fracasso. Em Mindset, ela mostra como a forma com a qual nos relacionamos com as nossas experiências, sejam elas positivas ou não, são determinantes para o sucesso. Ao contrário de depositar as fichas no talento, Carol é uma defensora de que o trabalho duro é a chave para atingir qualquer objetivo.

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O livro de Jô – Uma autobiografia desautorizada, Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.

Existem biografias escritas para explicar a genialidade da mente do biografado e outras para que o leitor se surpreenda com a vida do protagonista. A autobiografia de José Eugênio Soares, o Jô, é uma união feliz das duas propostas. Prestes a completar 80 anos, Jô narra, com a ajuda de Matinas Suzuki Jr., ex-editor executivo da Folha de S.Paulo, as três primeiras décadas da vida de uma das figuras mais versáteis do século – da infância privilegiada no Copacabana Palace até 1969, às vésperas de estrear na rede Globo, e tornar-se o humorista, ator, dramaturgo, entrevistador e escritor que conhecemos hoje. O livro traz histórias inéditas, como o encontro com Orson Welles e o pedido de perdão do taxista que diz ter matado sua mãe. Bem humorado, perspicaz, impecável, assim como todos os outros escritos do autor – a biografia ganhará um segundo volume em 2018.

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