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Por que é gostoso estourar espinhas?

Porque é dopaminérgico. Estourar as espinhas ativa um dos neurotransmissores mais famosos do nosso sistema nervoso: a dopamina, responsável pelo prazer.

Mas porque tirar secreções da sua pele causa prazer, você, leitor, estaria se perguntando? Para responder isso, é preciso recorrer à evolução humana. É instintivo para qualquer animal higienizar o próprio corpo. Isso diminui as chances de uma morte precoce (causada por germes) e aumenta as chances de sobrevivência. Por essa razão, este foi um comportamento selecionado pelo ambiente ao longo de milhões de anos. Daí surgiram hábitos comuns como cães e gatos se lamberem ou aves usarem o bico para retirada de parasitas da pelugem. Até insetos têm comportamentos de limpeza de asas e membros.

E como os humanos entram nessa história? Bem, não lambemos o próprio corpo e preferimos os recursos (e o cheirinho) das alternativas de higiene que a humanidade desenvolveu. Mas, bem antes disso, os primatas já possuíam um estranho hábito higiênico e dopaminérgico: a catação. Esse é o nome dado, basicamente, a limpeza que um macaco faz nos outros de seu grupo. Mas esse simples hábito vai além de higiene: macacos usam a catação como forma de estabelecer e fortalecer vínculos sociais e até sexuais dentro de um bando. E, acredite, sobrou até heranças dessa prática em nós, seres humanos: quem nunca quis estourar a espinha de alguém próximo? Por mais bizarro que pareça, mexer na espinha de seu companheiro é sinal de forte vínculo. De forma geral, eliminamos secreções, retiramos sujeira de nariz e ouvidos e, claro, estouramos acnes porque são formas instintivas de higienizar nosso próprio corpo. E dá uma sensação gostosinha.

 

Mas o ser humano é complexo e, após milhares de anos, foi ressignificando o ato de estourar espinhas. Um deles é aliviar a ansiedade e o estresse. Humanos tentam fazer isso de diversas formas, ao praticar atividade física, roer a unha, fazer sexo ou, para os mais esquentadinhos, quebrando objetos. E, claro, estourar espinhas também entra nesse bolo. Como? Bom, pessoas ficam ansiosas quando enxergam espinhas em sua pele. Elas imediatamente sentem a necessidade de liberar aqueles resíduos presos. E a dopamina liberada quando a pessoa ver o pus, o sangue ou o líquido vindo de uma espinha explodida alivia a ansiedade e causa uma sensação de alívio, calma e prazer. No entanto, descontar demais a ansiedade na pele pode trazer consequências perigosas: chama-se dermatilomania a compulsão em tocar, coçar, arranhar, limpar ou fuçar a pele continuamente. Isso cria lesões que, em muitas situações, se tornam graves. Uma pessoa que sofre com a dermatilomania, além das unhas, pode até usar objetos pontiagudos ou os próprios dentes para tentar “resolver o problema”.

Fonte: Dr. Caio Lamunier, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Pergunta enviada por Matheus de Jesus, cidade não identificada

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