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3 motivos para ver Steven Universe

Já falei por aqui que desenho não é coisa de criança. Várias animações que estão no ar atualmente trazem histórias tão bem desenvolvidas que qualquer adulto também pode curtir. Elas são um respiro às narrativas pesadas que tomaram conta da TV nos últimos tempos, e podem ser um prato cheio para você saborear em momentos mais relaxados – às vezes, tudo que a gente quer é fugir das guerras e da violência de Game of Thrones, né? Ultimamente, a obra que eu não consigo parar de maratonar é Steven Universe.

A série conta a história de Steven Universo (sim, esse é o nome dele mesmo), um guri de 12 anos que vive em Beach City, uma cidadezinha litorânea, com suas três guardiãs: Garnet, Ametista e Pérola. Elas são as Crystal Gems, ETs que defendem a Terra contra ameaças alienígenas. O próprio Steven é meio Gem, filho de um homem humano e uma Gem chamada Rose Quartz.

Steven Universe estreou no Cartoon Network em 2013. São cinco temporadas desde então, com cada episódio adicionando mais algum elemento a essa mitologia absurda e maravilhosa. Caso você nunca tenha assistido, ou torça o nariz achando que é coisa só pra quem não chegou à puberdade, listei algumas razões que podem fazer você querer dar uma chance.

(Cartoon Network/Reprodução)

1. A história é incrível

Cinco mil anos atrás, as Gems do Planeta Natal planejavam um ataque colonizador à Terra, com o objetivo de expandir seu império e aproveitar os recursos naturais daqui. Uma das Gems, porém, se apaixonou pelo nosso planeta, formou um pequeno grupo e liderou uma rebelião contra as outras. Desde então, esse time  as Crystal Gems  cuidam para que a Terra esteja sempre protegida.

Esses elementos, que remetem a grandes clássicos do cinema de ficção científica como Guerra dos Mundos Alien, não são comumente encontrados em um desenho animado. Mesmo assim, espaçonaves e superpoderes à parte, a história consegue ser extremamente pessoal, colocando Steven no centro da ação  é uma série sobre maturidade, sobre se tornar adulto e descobrir o(s) mundo(s) acontecendo ao seu redor.

Sabe quando a Equipe Rocket tenta capturar o Pikachu em basicamente todos os episódios de Pokémon? Pode esquecer isso aqui: Steven Universe tem uma estrutura serializada, em que cada aventura traz uma nova informação que vai levar a história adiante. Tudo tem consequência, e você só é capaz de entender diversos momentos vários capítulos depois, quando a ação se desenrolou o suficiente para tudo entrar em sintonia.

(Cartoon Network/Reprodução)

2. O trabalho vocal

Um dos grandes desafios de qualquer animação é a voz. Ela precisa casar com a apresentação visual do personagem e trazer profundidade. Em Steven Universe, o elenco de vozes é sensacional. No original, várias atrizes e cantoras famosas já fizeram participações especiais, como Uzo Aduba, Nicki Minaj, Natasha Lyonne, Patti LuPone e Aimee Mann. E quem dubla Garnet é Estelle  que ganhou um Grammy em 2008 por American Boy.

Mas olha, não precisa se preocupar: se você quiser assistir à série dublada, vai sem medo. A versão brasileira é caprichada e, em alguns momentos, até superior à original (eu amo a Pérola tupiniquim).

Fora as falas, Steven Universe apresenta muitas músicas. Elas são parte do episódio e servem como catalisador, expondo os sentimentos de diversos personagens de uma maneira lúdica e muito bonita. Para ter uma ideia, ouça essa, cantada pelo pai e pela mãe do Steven; essa, da Garnet, e essa, da Pérola. Mas minha preferida é essa aqui embaixo, sobre como o amor é a maior arma que existe (cuidado, tem alguns spoilers da primeira temporada):

3. Foco na representatividade

A variedade de Gems é gigantesca, e cada uma delas recebe atenção especial quando aparece em tela, ganhando nuances e motivações que condizem com o comportamento da personagem.

Ao longo da primeira temporada, nós aprendemos que, na verdade, o que compõe uma Gem, seu corpo real, é uma pedra. É essa rocha (que dá nome ao indivíduo) a fonte de vida da Gem. O que nós vemos é apenas a representação dela, como um “holograma com massa”. O legal é que a série tem o cuidado de diferenciar cada “holograma” com características físicas específicas. Garnet, por exemplo, é alta e curvilínea, enquanto Pérola é mais magra e Ametista, rechonchuda. O próprio Steven é baixinho e gordinho, fugindo do esterótipo de guerreiro musculoso que geralmente fica à frente de animações para crianças  tudo isso numa analogia aos mais variados tipos de corpos existentes na vida real.

E não só isso: o protagonista é um dos únicos homens do elenco. Ainda que as Gems não tenham gênero definido, todas são apresentadas com formas femininas, o que dá à série uma boa dose de girl power: essas figuras são as responsáveis pelas cenas de ação e lutas, as guerreiras de fato. Steven, inclusive, abraça seu lado emocional, é fofo e protetor, uma quebra à tradição de garotos valentões. Seu modelo é a mãe, e não o pai – é o legado dela que mais influencia a jornada de autodescobrimento promovida na série.

Além de tudo isso, Steven Universe também normaliza algumas questões LGBT, melhor até do que outros seriados com atores de carne e osso: há personagens bissexuais, não-binárias, relações lésbicas, e recentemente foi anunciado que a drag queen Jinkx Monsoon, vencedora da quinta temporada de RuPaul’s Drag Race, vai dublar uma Gem. A própria família de Steven é não-tradicional: ele vive com três figuras femininas, afinal. Para completar, sua melhor amiga e interesse amoroso tem origem indiana. Duas ou mais Gems ainda podem se fundir e formar uma outra, maior e mais poderosa – uma metáfora aos diferentes tipos de amor e sexo.

A criadora da série, Rebecca Sugar, disse em entrevista à SUPER que queria criar o desenho que faltava quando ela era criança. Uma animação que mostrasse gente fora do padrão, que não se encaixava. “Eu quero ser a pessoa que dá força para as ‘crianças esquisitas’ serem elas mesmas.” Parece que Rebecca está dando força pra muitos adultos por aí, também.

A primeira temporada de Steven Universe está disponível na Netflix. São 52 episódios – mas calma, cada um tem só 11 minutos de duração.

(Cartoon Network/Reprodução)

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