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13 trailers de filmes muito criativos

Por Jessica Soares Atualizado em 21 dez 2016, 10h13 - Publicado em 6 set 2012, 20h28

Por Jessica Soares
Colaboração para a SUPERINTERESSANTE

Tudo começou em 1913, quando um trechinho de The Adventures of Kathlyn passou na telona depois do filme da noite. Era possivelmente o primeiro trailer da história – e o primeiro capítulo de uma história marcada pela criatividade. Nos primeiros anos do trailer, a fórmula básica era repetida: títulos hiperbólicos seguidos de destaques do elenco e do enredo. Aos poucos, a coisa foi ficando mais complexa. Nos anos 1950, a variedade de experimentações com a linguagem cinematográfica também apareceu nos trailers. E inovar virou palavra de ordem. A SUPER vasculhou a história dos trailers e separou alguns dos mais criativos, em ordem cronológica. Confira como a arte de resumir tramas e atrair espectadores evoluiu:

1. De Ilusão Também Se Vive (Miracle In The 34th Street, 1947)

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“Hilário! Romântico! Encantador! Terno! Emocionante!” – até o chefão do estúdio que lançaria o filme achou exagero. Foram precisos depoimentos emocionados de atores para que o empresário decidisse assisti-lo. O vídeo acima não é exatamente um trailer – está mais para um curta-metragem promocional. A grande jogada do vídeo foi levar para as telonas o que acontecia no mundo real: na época, o chefe da Fox não acreditava que o filme, que se passa no Natal, fizesse sucesso se fosse lançado no verão. No fim, o chefão fictício do estúdio se convenceu e aprovou a película. O público também: o clássico arrematou 3 estatuetas no Oscar e faturou 2 milhões de dólares (uma grande fortuna nos anos 1940).

2. Psicose (Psycho, 1960)

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Fazer pequenas participações nos próprios filmes não era o bastante. Alfred Hitchcock também estava disposto a defender e promover suas criações. Com seu senso de humor peculiar, ele transformava cada trailer em um curta-metragem. Nada de cortes frenéticos ou narrações em off anunciando o destino incerto dos personagens. Alfie preferia conduzir o público em passeios inusitados, como a viagem turbulenta de Intriga Internacional ou a ~educativa~ palestra sobre a relação entre homem e aves no curta de divulgação de Os Pássaros. O passeio mais icônico, porém, é o de Psicose. No trailer do filme lançado em 1960, Hitchcock guia o público através das cenas do crime anunciado, com descrições detalhadas que aumentam a antecipação e a tensão. Ao final do tour, as mãos agarradas à cortina (e à poltrona, do lado de cá da tela) não deixam dúvidas de que o título de “Mestre do Suspense” realmente faz jus ao cineasta.

3. Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, 1964)

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Uma monatagem frenética e psicodélica de fragmentos do filme entrecortados por letreiros que estabelecem o clima de tensão histérica da Guerra Fria e jogam para o público as perguntas que o vídeo não se preocupa em responder. O mérito não é só de Stanley Kubrick. O trailer foi montado pelo designer cubano Pablo Ferro, cujo talento atraiu a atenção do diretor. A parceria dois dois se repetiu no trailer de Laranja Mecânica e a montagem com inconfundíveis cortes rápidos e múltiplas sequências de Ferro vem se destacando na história do cinema há quarenta anos.

4. A Noite do Iguana (The Night Of The Iguana, 1964)

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Richard Burton, Ava Gardner, Deborah Kerr. O elenco estrelado talvez já fosse o suficiente para atrair o público, mas o que garantiu a A Noite do Iguana um espaço na história do cinema foi um nome bem menos alardeado: Andrew J. Kueh, um dos responsáveis pela revolução do trailer. Para divulgar a adaptação da peça de Tennessee Williams, Kuehn combinou narração em off com a voz grave de um jovem James Earl “Darth Vader” Jones e montagem com cortes rápidos no ritmo da trilha de jazz. A lógica empregada no trailer não só serviu como base para os igualmente icônicos trabalhos seguintes do americano (que assina também os trailers de Taxi Driver, Alien e Tubarão) e de toda a indústria cinematográfica.

5. O Dorminhoco (Sleeper, 1973)

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Um filme intelectual, com cenas cabeça e de natureza quase didática. É assim que Woody Allen começa a apresentação de seu (então) novo filme, O Dorminhoco. Nada de inovador até aí. Mas, em um mundo dominado por vídeos promocionais que exclamam elogios aos longas que anunciam, Allen brinca com as expectativas do público e aposta no oposto: no trailer do “romance entre duas pessoas que se odeiam”, que se passa no ano de 2173, é estabelecido um jogo de contradição entre narração e imagem, que nunca passam a mesma mensagem. “Os acompanhantes de pessoas incoerentes pagam meia-entrada”, o diretor-ator-roteirista esclarece no final. Um argumento válido para quem tem saudades do velho (e bom) Woody.

6. Real Life (Idem, 1979)

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Como filmar a vida real de forma bastante realista? Mostrando tudo em três dimensões, é claro! Albert Brooks apresenta a comédia Real Life, de 1979 – com um trailer “em 3D” que pouco diz sobre o filme, mas que chega ao humor nonsense. Claro que tudo não passa de uma brincadeira do comediante, que assina roteiro e direção e atua no longa. No trailer, Brooks caçoa de todas as gags visuais que continuam sendo clichês em filmes em 3D para apresentar a história de um filmmaker que convence uma família a se deixar filmar. Profético.

7. Estranhos Prazeres (Strange Days, 1995)


(Clique na imagem para assistir ao trailer)

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Escapismo, sentimento de identificação e imersão sensorial. Descrita por um charmoso Ralph Fiennes, a experiência de “realidade virtual” parece bastante com a de assistir a um bom filme – uma coincidência que não acontece por acaso. O vídeo promocional do longa dirigido por Kathryn Bigelow foge do padrão e assume que está vendendo algo (no caso, o próprio filme). Pode parecer que o grande atrativo ali é a misteriosa “realidade” da qual o personagem fala. Mas, na verdade, o que você quer é assistir ao filme – e há um estranho prazer em ser fisgado assim.

8. Magnólia (Magnolia, 1999)

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A realidade às vezes é mais estranha que a ficção. E o trailer do filme de Paul Thomas Anderson mostra, logo de cara, uma daquelas cenas bizarras que parecem inacreditáveis demais para ser verdade. É justamente o inesperado que une os personagens vividos por um elenco de estrelas, que se conectam em uma das cenas mais famosas de sing-along da história do cinema. O vídeo não deixa dúvidas de que Magnólia transita pelo terreno do pouco provável, mas nunca do impossível – e quem discordar, que atire o primeiro sapo.

9. Um a menos (The Minus Man, 1999)

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Sabe quando você se sente tão intrigado por um filme que não consegue falar de outra coisa? É isso que o trailer de Um homem a menos sugere que acontecerá assim que você sair do cinema – mesmo que não fique claro se a discussão vai ser com elogios. Mas o protagonista, um serial killer cujas vítimas são pessoas descontentes com a própria vida, sequer aparece no vídeo promocional em questão. No lugar dele, um casal passa a noite inteira conversando sobre o enredo, os personagens e a trama do filme que acabaram de assistir, até se darem conta de que um novo dia já nasceu.

10. Femme Fatale (Idem, 2002)

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Pode parecer confuso notar que, ao invés de um trailer, vemos na tela os créditos iniciais do thriller Femme Fatale, dirigido por Brian De Palma. Enquanto você tenta desvendar o mistério, a surpresa: o filme passa a ser exibido em um frenético fast-foward, que só desacelera para apresentar os principais personagens, como a sedutora ladra Rebecca Romijn e o paparazzo Antonio Banderas. A montagem serve mais para despertar a curiosidade do que para resumir o enredo. Mas dá pra captar a mensagem: um filme com muita ação, cenas sensuais, roubos e explosões. Quando os créditos finais começam a correr pela tela, vem o golpe final: “Você acabou de assistir ao novo filme do Brian de Palma. Não entendeu? Tente novamente…”

11. O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhicker’s Guide To The Galaxy, 2005)

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A sacada do trailer de O Guia do Mochileiro das Galáxias (adaptação há muito esperada – mas não tão bem recebida – do cultuado livro de Douglas Adams) é não fugir dos clichês, mas sim voltar todos os holofotes para os maneirismos repetidos à exaustão. Ao explicar o funcionamento de um trailer cinematográfico, a narração sarcástica feita pelo próprio Guia, na voz do comediante Stephen Fry, já brinca com o fato de que trailers geralmente são acompanhados de uma locução com timbre de “um homem de dois metros de altura que fumou pesadamente desde a infância”. É uma referência à voz de trovão do prolífico narrador Don LaFontaine, responsável por popularizar a frase “Em um mundo…”, abertura clichê de 9 em cada 10 trailers. Um clichê que, à propósito, é prontamente ironizado pela – ops! – explosão do planeta Terra.

12. Um Homem Sério (A Serious Man, 2009)

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Com uma montagem rítmica – ao som de batidas angustiantes – o trailer do longa roteirizado e dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen estabelece em apenas 60 segundos todo o sofrimento de seu sério e miserável protagonista. A vida de Larry Gopnik está desmoronando – ele precisa de ajuda. E você não consegue parar de imaginar se ele vai, em algum momento, encontrá-la.

13. The Master (Idem, 2012)

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São também as batidas sufocadas que ditam o ritmo do trailer de The Master, novo longa de Paul Thomas Anderson que tem estreia no Brasil prevista para 25 de janeiro de 2013. O homem não é um animal, defende o personagem de Philip Seymour Hoffman, que parece atacar as próprias imagens que sobrepõem sua fala e o contradizem. O vídeo não revela muito do filme em que um intelectual americano carismático cria uma seita para dar um novo sentido a sua vida. E a antecipação provocada pela carência de grandes explicações prova que talvez seja melhor assim.

Você conhece outros trailers surpreendentes e criativos? Mande para nós nos comentários.

 

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