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Está com uma música na cabeça e não sabe qual é? Este site descobre.

A Musipedia é uma espécie de Wikipedia de partituras com um mecanismo de busca chamado MelodyHound. Ele não faz magia – mas vale um test drive.

Ainda existem um ou dois fósseis millennials por aí que orgulhosamente ouvem música no rádio – boa parte deles, não por coincidência, é amigo meu e sintoniza a Alpha FM atrás de Duran Duran. Se você é desse time, já passou pela seguinte situação: toca um som que você nunca ouviu. Ele é bom. A melodia gruda na cabeça. Só que aí a canção acaba e você descobre que a moça locutora já tinha falado o título e o artista lá atrás. Você fica sem saber qual era a música. Dá a impressão de que você nunca vai ouvir a dita cuja de novo. Que angústia.   

Nesses casos, a internet dos anos 2000 vem ao resgate. Descobri esses dias a Musipedia – uma espécie de Wikipedia de música. Os caras guardam um enorme arquivo de partituras. Tem mais clássico do que popular (principalmente porque boa parte da música dita “clássica” está em domínio público), mas mesmo assim tem bastante conteúdo popular. Também há um belo acervo de canções tradicionais, de autoria indefinida (como, digamos, “Batatinha quando nasce”). O ponto alto da Musipedia é uma ferramenta de reconhecimento de assobios chamada MelodyHound – algo como “farejador de melodias”.

 (Musipedia/Reprodução)

O MelodyHound funciona para músicos: você pode tocar a melodia em um piano virtual, espetar um teclado MIDI real no computador ou mesmo escrever sua partitura. Depois de ouvir a melodia, ele faz uma varredura em sua base de dados em busca de um resultado correspondente. É bem preciso. Mas também há o método de pesquisa para leigos: você pode assobiar ou murmurar a melodia perdida no microfone do computador, e com alguma sorte (quer dizer, muita sorte mesmo), o sistema vai reconhecê-la. Como a voz é muito inconstante, os resultados são menos confiáveis. 

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O jeito mais interessante de buscar uma música, porém, é por meio de algo chamado Parson’s Code – que é uma espécie de partitura rudimentar, que qualquer um consegue entender. O Parson’s Code funciona assim: uma melodia pode subir (isto é, ir de uma nota mais grave para uma mais aguda), descer (ir de uma nota mais aguda para uma mais grave) ou ficar no lugar (isto é, ficar na mesma nota). Cada um desses movimentos, no código, é representado por uma letra. “U”, de up, para quando sobe, “D”, de down, para quando desce, e “R”, de repeat, para quando a nota se repete. Você não precisa saber se a nota é um lá ou um sol. Basta você saber se ela subiu ou desceu em relação à nota anterior.

Desta forma, uma música como “All Star”, do Smash Mouth, nos versos Somebody once told me, the world is gonna roll me, fica assim: UDRDDRUDRDRDD. No começo, é bem confuso. Quem não toca um instrumento pode ter alguma dificuldade em identificar se uma nota subiu ou desceu. O truque é ignorar a letra e só cantarolar. Sem as palavras, fica mais fácil prestar atenção nas relações entre os sons.

Eu fiz um teste abaixo com o quarto movimento da nona sinfonia de Beethoven – uma melodia que todo mundo conhece (ouça aqui, a partir do minuto 33:30). Foi tiro e queda. No print abaixo, você pode ver o código que eu digitei, a maneira como ele transformou o código em uma representação visual do contorno da melodia e o primeiro resultado de busca – que é justamente a peça que eu estava procurando. 

 



 (Musipedia/Reprodução)

Uma das coisas mais interessantes desse sistema que reduz melodias a seus elementos mais rudimentares é que ele tem equivalentes em outras áreas do conhecimento. Por exemplo: datação de árvores por meio do número de anéis concêntricos no interior do tronco, em que cada anel representa a passagem de um ano. A árvore da imagem abaixo ilustra bem o fenômeno.

O mais legal desse método é que, se você encontrou uma árvore morta e não sabe sua data de nascimento, é possível determiná-la comparando a largura dos anéis no interior de seu tronco com a largura dos anéis no interior dos troncos de outras árvores da mesma região que foram datadas de forma bem sucedida. Como os anéis crescem em ritmos diferentes de acordo com o clima de cada ano (tempo úmido estimula o crescimento, tempo seco retarda), a largura relativa dos anéis, em parceira com o registro climático histórico, funciona como uma espécie de Parson’s Code vegetal. Lindo.

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