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Lembra do exoesqueleto da Copa? Ele já recuperou 8 paralíticos

Estudo feito no Brasil, liderado por Miguel Nicolelis, deixou boquiabertos os próprios cientistas Era uma ideia modesta. Os cientistas simplesmente queriam ensinar paraplégicos a controlar um exoesqueleto motorizado – o mesmo modelo usado para dar o chute de abertura na Copa. O resultado foi uma incrível recuperação biológica dos pacientes. O estudo foi o primeiro […]

Estudo feito no Brasil, liderado por Miguel Nicolelis, deixou boquiabertos os próprios cientistas

Rafael Sarmento
Rafael Sarmento

Era uma ideia modesta. Os cientistas simplesmente queriam ensinar paraplégicos a controlar um exoesqueleto motorizado – o mesmo modelo usado para dar o chute de abertura na Copa. O resultado foi uma incrível recuperação biológica dos pacientes.

O estudo foi o primeiro resultado publicado pelo Walk Again Project (“Projeto Andar de Novo”), uma ONG internacional de pesquisa médica, envolvendo 100 pesquisadores em 25 países, inclusive o famoso neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

Tudo começou com uma simulação em realidade virtual, com o Oculus Rift. Os pacientes viam um modelo das próprias pernas e os cientistas pediam para que imaginassem elas se movendo, enquanto sensores registravam sua atividade cerebral. Quando eles conseguiam mexer – e todos aprenderam isso rapidinho – trajes especiais retornavam uma sensação tátil, simulando o movimento.

Depois disso, passaram para o Lokomat, um robô que simula os movimentos de caminhada com os pacientes pendurados por cintos. Por fim, o exoesqueleto motorizado, cuja ideia era simplesmente carregar a pessoa, sob o comando de seu cérebro.

Em meio a milhares de sessões de treinamento, algo totalmente inesperado aconteceu. Os pacientes começaram a mexer seus próprios músculos, sem máquina nem nada. Voltaram a sentir dor e pressão nas pernas. Chegaram até a recuperar o controle da bexiga e dos intestinos (um sério inconveniente da paraplegia é a incontinência total).

“A gente topou com essa recuperação clínica, algo que é quase como um sonho”, afirma o brasileiro Miguel Nicolelis, o líder da pesquisa, ao jornal britânico The Guardian. Em outra matéria, ele deu exemplos: “neste ponto, um paciente se tornou capaz de produz movimentos voluntários com as pernas, simulando andar enquanto suspenso. Em outro exemplo, o paciente sete foi capaz de andar com muletas e ortoses [suportes] de pernas, sem a ajuda de um terapeuta”.

Qualquer um que tenha um parente ou amigo paraplégico sabe o gigantesco impacto dessa notícia. Por toda a história, dano na medula espinhal era uma sentença para a vida. Nada no mundo podia tirar alguém da cadeira de rodas. A esperança estava voltada para pesquisas com células-tronco, que já apresentaram resultados bastante promissores, mas não em pacientes como os do estudo brasileiro, paraplégicos por até 14 anos. Segundo os cientistas, é a primeira vez em que essa linha de tratamento, a interface entre cérebro e máquina, apresenta qualquer melhoria clínica.

Nicolelis acredita que as sessões de treinamento conseguiram acordar as poucas conexões neurais que sobreviveram aos acidentes que levaram à paralisia. Ninguém foi capaz de sair andando do hospital, mas eles oficialmente deixaram de ser paralíticos totais para se tornarem paralíticos parciais. E ainda estão em recuperação: ninguém sabe até onde podem chegar essas melhoras. Talvez um dia até consigam bater uma pelada.

Talvez seja hora de esquecer o 7 a 1. A Copa começou com um golaço científico do Brasil, diante do qual futebol é café pequeno. A gente não levou a taça, mas, quem sabe, essa seja a hora de ganhar a medalha. Nicolelis é o verdadeiro craque da Copa.

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