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4 descobertas científicas reveladas enquanto as eliminações do BBB batiam recorde de rejeição

Em março, enquanto as rivalidades das torcidas cresciam, a ciência media velocidades galácticas e superpoderes de células fetais.

 (alexaldo/iStock)

1. Um estudo da Nasa confirmou que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter está encolhendo 230 km por ano – mas crescendo em altura

A tempestade raivosa do maior planeta do Sistema Solar continua se transformando. A tendência já conhecida era de que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter estava encolhendo (e corria até o risco de desaparecer). Mas como toda tempestade é dinâmica, ela parece estar se adaptando com sucesso. Apesar de estar perdendo largura, a manchona está ficando mais alta e esticada, graças à mudança na diferença e na velocidade de seus ventos.

Hoje, a mancha tem um terço do diâmetro que possuía em 1878, primeiro ano em que foi medida. Ela também está ficando menos vermelha (mais alaranjada) e girando mais rápido do que antes. O passado da mancha é razoavelmente bem documentado pelos últimos 150 anos – mas as mudanças são tão imprevisíveis que determinar seu futuro é quase impossível.

 (Mayra Fernandes/Superinteressante)

2. Médicos japoneses descobriram que estímulos elétricos no ouvido aceleram o passo das pessoas

Quando nos movemos, “cabelinhos” internos do ouvido são responsáveis por avisar o cérebro sobre a velocidade da nossa passada. É graças a essa informação que conseguimos manter o equilíbrio quando aceleramos ou freamos (andando atrás de alguém no metrô, por exemplo) sem cair no chão.

No Japão, um grupo de pesquisadores descobriu que encaixar eletrodos atrás das orelhas, levando estímulos elétricos a esse sistema, acaba “superexcitando” esse mecanismo – e, como reação, seu corpo começa a caminhar mais rápido. As passadas ficavam mais longas e o intervalo entre elas menor – exatamente o que você faz, conscientemente, quando está com pressa. O aumento de velocidade ficava, em média, nos 15%.

As correntes elétricas variavam em frequência e não eram audíveis. O objetivo é que esses eletrodos possam virar equipamentos que ajudam pessoas com dificuldade de andar graças a problemas no ouvido ou no labirinto. Mas o uso pode ser até mais amplo: estudos anteriores mostram que a postura também melhorava com os estímulos, mesmo quando os voluntários estavam parados.

 (Mayra Fernandes/Superinteressante)

3. Bioengenheiros de Harvard sintetizaram uma proteína, normalmente produzida por fetos, que faz feridas de ratos adultos fecharem sem deixar cicatrizes

Alguns fetos precisam ser operados ainda dentro da barriga. Mas, ao contrário de nós, meros mortais de fora do útero, eles não ficam com cicatrizes. A culpa é de uma proteína chamada fibronectina, que é abundante nas células epiteliais dos fetos. O problema é que ela praticamente se esgota depois que nascemos.

Nos fetos, a fibronectina “coordena” as células da pele que se juntam para curar uma ferida. Em adultos, não existe essa organização: as células se amontoam em pilhas bagunçadas de queratina, formando as cicatrizes que conhecemos. Mas e se pudéssemos recriar a fibronectina? Será que ela teria o mesmo efeito em adultos que tem em fetos?

Pesquisadores de Harvard fizeram o teste em ratos. Eles sintetizaram em laboratório a fibronectina – e aí criaram uma espécie de band-aid, um curativo composto de camadas de nanofibras da proteína fetal. E cobriram feridas de ratos adultos com elas.

Não só os ferimentos se recuperaram praticamente sem deixar cicatrizes visíveis, como o machucado melhorou 3 dias antes dos ratos que não usaram band-aid de fibronectina. Quando os cientistas analisaram as células novas que cobriam o machucado, viram que elas eram 84% idênticas às células epiteliais da vizinhança, criando um novo tecido indistinguível do resto da pele.

O próximo passo é testar o curativo em outros animais, com a pele mais parecida com a de humanos, como os porcos, antes de finalmente testar a fibronectina em gente de verdade.

 (Mayra Fernandes/Superinteressante)

4. Neurocientistas manipularam o cérebro do mandarim, um pássaro australiano – fazendo ele mudar o piado, como se estivesse falando errado

Como aprendemos a falar do jeito certo? Do mesmo jeito que os passarinhos aprendem suas canções, desconfiam os cientistas. Saber piar corretamente define se certos pássaros vão conseguir acasalar ou não – de certa forma, o futuro da espécie toda depende desse processo.

Por isso, cientistas tem usado o mandarim (Taeniopygia guttata), um pássaro australiano, como modelo de como o cérebro age no aprendizado vocal.

Eles descobriram um circuito neural responsável por ajudar o cérebro a determinar se uma vocalização (uma palavra no nosso caso, um trecho da canção, no caso deles) está correta. Quando os pássaros acertam, uma ducha de dopamina inunda o sistema de recompensa, reforçando o comportamento correto. 

Usando técnicas de optogenética, os pesquisadores conseguiram ligar e desligar neurônios dessa região – e, com isso, mudar a música já aprendida pelos pássaros. O cérebro deles tinha mais dificuldade de diferenciar entre a versão correta e a errada da música. O controle era tanto que, mexendo em neurônios específicos, eles conseguiam controlar em que sílaba musical a mudança apareceria.

Eles esperam que um circuito similar exista no cérebro humano – e, no futuro, possa ser possível manipulá-lo em casos de transtornos de neurodesenvolvimento, como o autismo, que afetam a fala e dificultam o aprendizado de vocalizações corretas.