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A verdadeira tartaruga ninja (e punk) está em risco de extinção

A tartaruga do rio Mary, que tem guelras nos genitais, é só uma de uma lista de espécies em perigo que são valiosas para estudar a Teoria da Evolução

Por Bruno Vaiano 19 abr 2018, 17h17

Pensou bichos malucos, pensou Austrália. Além de cangurus, ornitorrincos, coalas, vombates e outros mamíferos com pinta de alienígena, a mais criativa das colônias britânicas também tem uma dose considerável de répteis que não se parecem com nada que você já viu. Como a tartaruga do rio Mary, na foto acima (nome científico Elusor macrurus).

Além do moicano verde – que não é feito de cabelo, mas de estilosas algas que crescem em sua cabeça –, essas cascudas têm estruturas análogas a guelras no interior da cloaca. Elas permitem que a macrurus passe mais de três dias absorvendo oxigênio da água como um peixe, sem ter que aparecer na superfície para respirar.

Chris Van Wyk/Reuters

No último dia 11, a tartaruga caiu na mídia por ser parte de uma lista de 100 répteis (muito) exóticos que foram declarados em risco de extinção pela Sociedade Zoológica de Londres. A instituição também forneceu compilações de anfíbios, pássaros, mamíferos e até corais. Não é qualquer espécie em perigo que entra nesse ranking específico, chamado EDGE. Ele é dedicado só aos animais que são extremamente peculiares do ponto de vista evolutivo (por terem características anatômicas curiosas ou viverem só em lugares muito específicos) – e que, portanto, seriam perdas mais tristes que o normal para a biodiversidade. 

Chris Van Wyk/Reuters

macrurus tem em média 40 cm de comprimento, e se tornou um animal de estimação popular na década de 1970 – o que acelerou seu declínio. Além dela, há outras seis tartarugas australianas em risco. Conservacionistas afirmam que répteis, na média, não recebem a mesma atenção que os carismáticos mamíferos e pássaros na hora de planejar programas de preservação governamentais.  

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