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Amazônia brasileira tem pior primeiro semestre de queimadas em 20 anos

Dados de satélite revelam recorde de queimadas e aumentam preocupação sobre a seca do segundo semestre.

Por Isabela Lobato
Atualizado em 4 jul 2024, 19h05 - Publicado em 4 jul 2024, 19h00

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgados nesta segunda-feira (1) mostram o maior número de queimadas na Amazônia em um primeiro semestre dos últimos 20 anos. Foram 13.489 queimadas, o que representa um aumento de mais de 61% em relação ao mesmo período do ano passado.

Desde que o INPE começou o monitoramento em 1998, apenas em outros dois anos o bioma amazônico teve mais mais incidentes no primeiro semestre: em 2004, com 17.340 queimadas, e em 2003, com 17.143 queimadas.

É importante lembrar que a Floresta Amazônica, ao contrário do Cerrado, não pega fogo naturalmente. Todos os focos de incêndio na região são antrópicos, ou seja, causados por ação humana. Entretanto, existem “estações de queima”, períodos em que as condições são mais propícias para o alastramento do fogo. Na maior parte da Amazônia, a estação de queima é entre agosto e outubro. No extremo norte do bioma, acima da linha do equador, o período é entre janeiro e março.

Liana Anderson, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), explica que a alta pode ter sido causada por diversos fatores acumulados. Um deles é que o período histórico de secas provocadas pelo El Niño no ano passado fragilizou a floresta, que está menos úmida e mais propícia ao alastramento do fogo.

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Outro fator é que, nos últimos anos, grandes extensões da floresta queimaram e ficaram muito suscetíveis a novas queimadas. “Ou seja, estamos entrando no início de uma estação de queima com uma floresta muito mais inflamável, porque ela está seca, com grandes extensões que já queimaram.” diz Liana. “Tem muita matéria morta ali, muito galho, tronco e folhas caídas. Se o fogo chegar, é muito mais fácil que saia de controle.”

Liana aponta também que a borda que separa a floresta de uma área desmatada aumenta o risco de incêndios. “Quando uma pessoa coloca fogo no seu pasto para fazer o seu manejo, o fogo chega na borda e adentra a floresta. É como uma porta de entrada.” O problema é que com o avanço contínuo do desmatamento em direção ao interior da floresta, cria-se mais área de borda, que deixa a floresta ainda mais vulnerável.

É por isso que alguns portais noticiaram na última semana que apesar do aumento dos incêndios, a taxa de desmatamento havia diminuído. Os dois dados podem parecer incoerentes entre si, mas a realidade é que as queimadas também estão ocorrendo em áreas que já estavam desmatadas anteriormente. O dado do desmatamento, por outro lado, se refere a áreas que eram florestadas, mas foram destruídas.

A situação preocupa especialmente com a chegada do segundo semestre, a época de seca na região Norte. O ano de 2023 teve a pior seca já registrada, e a diminuição brusca no nível dos rios prejudicou o transporte para comunidades ribeirinhas, afetando o acesso a água, comida e medicamentos. Em maio, a Defesa Civil do Estado do Amazonas emitiu um alerta que diz que a seca de 2024 deve ser tão severa ou pior do que a do ano anterior.

Outros biomas, como o Cerrado e o Pantanal, também sofrem com níveis recordes de incêndios. No Pantanal, foram identificados 3.538 focos de incêndio no primeiro semestre do ano, um aumento de mais de 2.000% em relação ao mesmo período de 2023. Isso representa um crescimento de cerca de 40% em comparação com 2020, quando todos os recordes foram quebrados e 30% do bioma foi afetado pelo fogo.

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