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Anestésicos, herbicidas e explosivos: quais são as aplicações do fenol?

O peeling com a substância foi criado no século 19 pelo fundador da Nivea. Mas essa não é nem de longe a única utilidade do fenol. Confira.

Por Eduardo Lima
11 jun 2024, 19h00

O empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, morreu no último dia 3 de junho após se submeter a um peeling de fenol. O procedimento foi feito pela influenciadora Natalia Becker, dona da clínica onde o tratamento foi realizado. A formação de Natalia consiste apenas em um curso online que não oferecia aulas práticas.

Uma das hipóteses levantadas pelos policiais que investigam o caso é que Henrique tenha morrido por uma reação alérgica agressiva a alguma das substâncias químicas envolvidas no procedimento, como o fenol. Há chances de que ele tenha inalado a substância e tido uma parada cardíaca.

Dá para fazer um peeling de fenol de formas seguras, mas passar com um especialista é essencial. A técnica de rejuvenescimento atinge a camada mais profunda da derme para incentivar a renovação celular e descamar a pele. Procedimentos invasivos assim devem ser feitos em ambientes hospitalares e só podem ser realizados por médicos, de acordo com a Lei do Ato Médico.

O fenol pode ser altamente tóxico para o coração, os rins e o fígado, com diversas complicações possíveis se o procedimento for realizado de qualquer jeito ou sem um cuidado com as condições de cada paciente. Pessoas com doenças cardíacas, renais, hepáticas, autoimunes e crônicas não deveriam fazer o tratamento.

Mas, afinal: o que é essa substância química milagrosa para a estética e tão perigosa se utilizada de forma ruim?

O que é o fenol?

Também conhecido como benzenol, ácido carbólico e ácido fênico, o fenol comum é tóxico e pouco solúvel em água. Ele é uma substância cáustica, ou seja, uma base forte com propriedades corrosivas, e pode causar queimaduras severas. Em contato com a pele, ele induz a quebra das proteínas da epiderme e a produção de colágeno, e por isso é usado no peeling.

O fenol existe como sólido em temperatura ambiente, com ponto de fusão em 40,89 °C e uma aparência branca cristalina. Ele pode ser obtido diretamente do alcatrão de hulha, um subproduto do processamento de carvão mineral.

Isolado do alcatrão de hulha em 1834 pelo farmacêutico alemão Friedlieb Ferdinand Runge (também a primeira pessoa a identificar a cafeína), o fenol foi cristalizado puro pela primeira vez em 1841, pelo químico francês Auguste Laurent.

A substância tem um tempo de vida curto no ambiente antes de se degradar, seja no ar, na terra ou na água. Não representa um perigo tão grande de poluição, a não ser que esteja em altas concentrações.

Indústria do fenol

O peeling usando fenol tem seus primeiros registros no século 19, com o médico alemão Paul Gerson Unna, que desenvolveu a dermatologia como especialidade e fundou a Nivea, empresa multinacional de cosméticos. A substância química foi muito usada depois da Primeira Guerra Mundial para tratar as cicatrizes faciais dos combatentes.

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Depois desses primeiros usos, os médicos Thomas Baker e Howard Gordon inventaram a versão definitiva do peeling de fenol. A fórmula Baker-Gordon foi lançada em 1962 e é uma das mais usadas até hoje, misturando fenol diluído em água, óleo da planta cróton e sabão líquido.

Mas nem só de peeling e estética vive o fenol. A substância é essencial para a síntese da aspirina, remédio popular usado para tratar dor, febre e inflamação. O Propofol é um medicamento da classe dos fenóis que serve para induzir ao sono e sedar o paciente. O THC, princípio ativo da maconha, é um tipo de fenol.

Joseph Lister, o pai da cirurgia moderna, usou o fenol como antisséptico a partir de 1865. Até hoje, a substância é utilizada na fabricação de desinfetantes, e seu uso nos princípios da esterilização cirúrgica ajudou a salvar inúmeras vidas, que eram comumente perdidas para infecções pós-operatórias.

Herbicidas e pesticidas são feitos com fenóis, e eles também são essenciais na produção de resinas e plásticos. Sua presença natural no cravo, na canela, na mirra e na noz-moscada faz com que a substância química esteja presente na fabricação de diversos cosméticos e perfumes.

Os benefícios e perigos do fenol andam lado a lado. É só pensar no ácido pícrico: esse composto fenólico é altamente explosivo, tendo sido usado na fabricação de granadas, mas também foi usado para criar remédios que tratam queimaduras.

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