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Aos 98 anos, física recebe doutorado por uma descoberta feita em 1948

Rosemary Fowler foi da equipe que achou o káon. Mas ela teve que abandonar a carreira para cuidar dos filhos. Conheça a sua história.

Por Bela Lobato
Atualizado em 24 jul 2024, 16h12 - Publicado em 23 jul 2024, 17h01
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  • Duas senhoras de cabelos grisalhos lado a lado.
     (Foto: David Johnson (Universidade de Bristol)/Reprodução)

    Em 1948, a equipe de física de raios cósmicos da Universidade de Bristol, na Inglaterra, liderada pelo professor Cecil Powell, estava em busca de novas partículas fundamentais do Universo. Eles já haviam encontrado o píon, pelo qual Powell receberia o Prêmio Nobel dois anos mais tarde, em 1950.

    As partículas fundamentais são aquelas formadas única e exclusivamente por elas mesma, sem subestruturas. São os tijolinhos-base da matéria, muito menores que um átomo (que é formado por nêutrons, elétrons e prótons). Prótons e nêutrons, diga-se, são formados por quarks, outra partícula fundamental.

    Na equipe de Powell, a doutoranda Rosemary Brown tinha apenas 22 anos quando fez uma descoberta que mudou a história da física. Ela descobriu uma nova partícula, chamada káon. “Eu soube imediatamente que era algo novo e que seria muito importante. Estávamos vendo coisas que nunca tinham sido vistas antes – isso é o que era a pesquisa em física de partículas. Foi muito empolgante”, disse ela, na nota divulgada pela Universidade de Bristol

    O káon não é uma partícula fundamental, e sim um conjunto de mésons (que, por sua vez, são formados por pares de quarks de cargas opostas). Mesmo assim, a descoberta de Brown ajudou a revolucionar a teoria da física de partículas e continua a ser comprovada como correta. Mais tarde, os káons ajudariam a prever o bóson de Higgs (uma partícula fundamental que ajuda a explicar como as outras partículas do tipo possuem massa).

    A primeira pessoa a quem Brown contou sobre o feito foi um colega, Peter Fowler. Em entrevista à revista Nature, ela conta sobre o momento: “Passamos um tempo olhando, pensando e aproveitando o momento da descoberta. Depois, contei para os outros”. 

    O trabalho de Rosemary foi importante para o prêmio Nobel recebido pela equipe de Powell em 1950. Mas a cientista não continuou sua carreira depois disso. Vamos entender a sua história – e por que ela se afastou.

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    Diversos homens lado a lado, distribuídos em fileiras horizontais. Na segunda (debaixo para cima), há uma única mulher.
    Em 1948, Rosemary Brown (atrás à esquerda, ao lado da pilastra) era uma das poucas mulheres físicas em Bristol. (Arquivos da Escola de Física/Universidade de Bristol/Reprodução)

    Sr. e Sra. Fowler

    Rosemary Brown nasceu em 1926, em Suffolk, na Inglaterra. Filha de um engenheiro da Marinha Real, cresceu viajando pelo país. Quando se lembra da infância, conta que “matemática e ciências eram fáceis, escrever redações era difícil”. Ela foi a única garota de sua turma a ir para a universidade. 

    Em seu primeiro ano de graduação em Bristol, ela pegava dois ônibus para chegar à universidade. Mais tarde, ela se mudou para a cidade para concluir seu bacharelado, tornando-se uma das primeiras mulheres a receber o prêmio First em Física (e ela continuou morando em Bristol até bem recentemente, diga-se).

    Na época da descoberta do káon, Rosemary e seu colega Peter se apaixonaram. Fowler era neto de Ernest Rutherford (pioneiro da física nuclear) e tido como um jovem brilhante, com uma promissora carreira. Os dois se casaram no ano seguinte, em 1949.

    Rosemary chegou a assinar os resultados do estudo com o seu nome de solteira, Brown (dois artigos, aliás, saíram na Nature, uma das mais respeitadas revistas científicas.) Mas logo após as publicações, ela teve que deixar a sua carreira e o doutorado inacabado para se dedicar à família que começava a criar com Peter. Com o apoio da esposa, ele se tornou um físico de destaque e premiado. 

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    A premiação tardia

    Agora, 75 anos depois do fim de sua carreira, Rosemary recebeu da Universidade de Bristol o título de doutora. A cerimônia particular contou com a presença de seus filhos, netos e bisnetos, muitos dos quais são cientistas e funcionários da instituição.

    Rosemary e Peter Fowler, que faleceu em 1996, tiveram três filhos, e todos estudaram ciências no ensino superior. A filha mais velha, Mary, conta: “Estou muito feliz por minha mãe. Quando criança, eu queria ser física porque parecia ser muito empolgante. Como ambos os meus pais eram físicos, a física e a pesquisa eram um tópico normal de conversa na mesa da cozinha.”

    Durante a cerimônia, a agora Dra. Rosemary Fowler, aos 98 anos, disse que se sente “muito honrada”, e acrescentou modestamente: “mas não fiz nada desde então para merecer respeito especial”.

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