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Aquecimento global está deixando baleias mais magras, revela estudo

As águas mais quentes diminuem a oferta de alimento para elas, que têm que migrar para regiões de acasalamento com fome.

Por Leo Caparroz 18 Maio 2023, 16h49 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h52
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O aumento das temperaturas do planeta está fazendo as baleias-francas perderem peso. A principal fonte de alimento da espécie tem sido prejudicada, o que afeta o tamanho delas e a saúde da prole.

No inverno, essas baleias saem do extremo sul do planeta e nadam em direção ao norte para acasalar e criar os filhotes. Só que elas precisam aguentar o período dessa viagem com restrições alimentares, já que sua comida favorita é mais abundante nas águas mais frias do Antártico. Sendo assim, elas precisam comer o máximo possível durante o verão para juntar reservas de gordura tanto para elas, quanto para amamentar os filhos.

O problema é esse: elas não têm comida suficiente, e chegam para acasalar mais magricelas do que o costume. É o que constatou uma

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pesquisa que acompanhou as baleias-francas próximas à África do Sul por 43 anos. Segundo o estudo, elas estão 23% mais magras do que no início.

O time de pesquisadores usou

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imagens de drone para deduzir o volume de cada animal. A partir dessa informação, eles conseguiram estimar o peso dos animais em todos esses anos – e atestar esse emagrecimento.

“Isso é ruim para a população de baleias porque significa que os filhotes recém-nascidos correm maior risco de morrer”, afirma Fredrik Christiansen, autor do estudo. “Felizmente, as baleias-francas no Oceano Antártico não estão ameaçadas. Mas, se isso continuar, elas poderão ficar”.

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As baleias se alimentam de krill, pequenos crustáceos semelhantes a camarões. Eles, por sua vez, se alimentam de fitoplâncton, algas microscópicas unicelulares. O fitoplâncton faz fotossíntese, assim como as plantas, e é a base da cadeia alimentar no oceano. Ele sobrevive melhor em águas frias, então o aumento das temperaturas com o aquecimento global significa menos fitoplâncton, que significa menos krill e, por fim, menos comida para as baleias.

O que é prejudicial não só para elas individualmente, mas também para sua prole. No início da pesquisa, as baleias-francas tinham filhotes a cada três anos em média; porém, como agora é mais difícil ganhar peso durante o verão, elas passaram a procriar de cinco em cinco anos.

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A população de baleias-francas está aumentando em ritmo mais lento, e os filhotes estão crescendo menos em tamanho. A quantidade de gordura da mãe baleia está diretamente ligada à quantidade de energia que ela pode dar ao filhote por meio do leite. Quando a mãe está magra, o bebê ganha menos energia e cresce mais devagar.

Segundo os pesquisadores, as baleias são extremamente importantes para o ecossistema marinho – se elas forem prejudicadas, muitos animais podem sofrer as consequências.

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“As baleias são um predador de topo de cadeia. Quando um animal em cima da cadeia alimentar desaparece, tem um efeito cascada”, afirma Christiansen. “De tubarões a bactérias, vários serão afetados se as baleias não estiverem mais lá.”

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