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O objeto mais longínquo do Sistema Solar fica 132 vezes mais distante que a Terra

O FarFarOut está tão, tão longe que demora um milênio inteiro para completar uma volta ao redor do Sol. E sua estranha órbita, muito elípitica, pode ser um brinde de interações gravitacionais com Netuno.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 12 fev 2021, 20h09 - Publicado em 12 fev 2021, 18h53

O objeto mais distante conhecido no nosso Sistema Solar está agora confirmado. O dito-cujo foi apelidado de FarFarOut e é conhecido desde 2018, mas só agora os astrônomos determinaram seu afastamento médio do Sol: 132 unidades astronômicas (UA). Uma unidade astrônomica corresponde à distância entre a Terra e o Sol.

Para fins de comparação, o planeta-anão Plutão (que, quando ainda era considerado um planeta, era o mais distante do Sol no nosso Sistema), fica a “apenas” 39 UA do centro do Sistema Solar. Com toda essa distância, o FarFarOut leva um milênio inteiro para completar sua órbita. Ou seja: um ano, por lá, dura mil anos.

Esse pedação de rocha teve seu diâmetro calculado em aproximadamente 400 km – o suficiente para enquadrá-lo como um minúsculo planeta-anão, ou como um enorme asteroide do Cinturão de Kuiper, conforme sua composição química. Não é fácil obter mais detalhes, claro: a essa distância, um corpo pequeno e que não emite luz própria é algo extremamente discreto.

  • O FarFarOut (cuja nome oficial provisório é 2018 AG37) toma o lugar do recordista anterior, apelidado FarOut, que foi descoberto pela mesma equipe e fica a 124 UA do Sol. Os nomes dos dois objetos são uma brincadeira: far out, em inglês, significa “muito longe”, enquanto far far out é “muito, muito longe”. A equipe de cientistas americanos que descobriu ambos vasculha os céus desde 2012 para procurar objetos localizados além de Plutão, e eles esperam encontram ainda mais habitantes rochosos nos confins do Sistema Solar.

    Nosso planetoide isolado foi detectado pela primeira vez em 2018, em um único avistamento feito pelo telescópio Subaru, no Havaí. Desde então, a equipe utilizou vários outros observatórios, como o Observatório Gemini, também no Havaí ,e os Telescópios Magalhães no Chile, para procurar o predegulho – e conseguiram observá-lo mais oito vezes.

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    “O FarFarOut leva um milênio para circular o Sol uma vez”, disse em comunicado David Tholen, pesquisador da Universidade do Havaí e coautor da descoberta. “Por causa disso, ele se move muito lentamente pelo céu, e exigiu vários anos de observações para determinar com precisão sua trajetória.”

    A órbita de FarfarOut é bastante elíptica e estranha – 132 UA é apenas um valor médio do seu percurso; em seu ponto mais distante, o objeto fica a 175 UA do Sol, e, em seu ponto mais próximo, chega a estar 27 UA dele – região que se sobrepõe à órbita de Netuno. Como as órbitas se cruzam, os cientistas acreditam que a gravidade de Netuno, um planeta bem maior, pode ter influenciado na estranha e alongada órbita de FarFarOut.

    “O FarFarOut provavelmente foi lançado no Sistema Solar externo por ficar muito perto de Netuno em um passado distante”, disse em comunicado Chad Trujillo, um dos autores da descoberta. Ele provavelmente interagirá com Netuno novamente no futuro, uma vez que suas órbitas ainda se cruzam.” Estudar essas interações, dizem os cientistas, podem ajudar a entender melhor a história da nossa vizinhança cósmica, incluindo como Netuno influenciou na distribuição de vários objetos nos limites mais exteriores do Sistema Solar.

     

     

     

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