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Ave mais perigosa do mundo pode ter sido domesticada há 18 mil anos

Cascas de ovos encontradas em escavações arqueológicas sugerem que antigos habitantes da Nova Guiné criavam filhotes de casuar, uma ave conhecida pelas garras afiadas e pela agressividade.

Por Luisa Costa
Atualizado em 13 mar 2023, 13h29 - Publicado em 29 set 2021, 18h15

O casuar é frequentemente considerado a ave mais perigosa do mundo. Nativo de florestas tropicais da Austrália e Nova Guiné, ele pode ser agressivo em cativeiro ou diante de uma ameaça humana. Em 2019, por exemplo, ficou famoso um acidente trágico em que um casuar matou, com as garras que chegam a 10 cm de comprimento, seu cuidador.

Apesar de parecer um animal imune à domesticação, um estudo recente analisou mais de mil fragmentos de cascas de ovos de casuar e sugeriu que, há 18 mil anos, pessoas na Nova Guiné podem ter criado filhotes de casuares. Esse seria o primeiro exemplo conhecido de humanos domesticando aves, milhares de anos antes da galinha.

As cascas foram encontradas em escavações arqueológicas feitas em abrigos de rocha usados por caçadores-coletores na Nova Guiné. Para entender o que os antigos habitantes da ilha faziam com os ovos, uma equipe de cientistas descobriu em qual estágio de incubação cada ovo estava – ou o quão longe estava da eclosão.

Para isso, a equipe escaneou as cascas de ovos gerando imagens 3D de alta resolução e as comparou com cascas de ovos modernas de avestruz – que pertence à família Casuariidae, assim como os casuares.

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Os cientistas descobriram que alguns ovos, que apresentavam sinais de queima, estavam no início do desenvolvimento. Isso sugere que foram cozidos e comidos. Já um número maior de cascas eram de ovos em estágios mais avançados de incubação, que provavelmente apresentavam embriões quase totalmente formados. 

É possível que as pessoas que coletavam esses ovos também fizessem deles sua refeição, com os embriões já formados, ou esperassem o surgimento das aves, para criar os filhotes. Os cientistas apostam na segunda possibilidade.

“[Ainda hoje algumas] pessoas criam filhotes de casuar até a idade adulta para coletar penas e consumir ou comercializar as aves. É possível que os casuares também tenham sido muito valorizados no passado, já que estão entre os maiores animais vertebrados da Nova Guiné”, disse Kristina Douglass, autora principal do estudo.

Mas a equipe também destaca que a coleta dos ovos não seria uma tarefa fácil. Os antigos habitantes da ilha precisariam saber exatamente onde estavam os ninhos de casuar e quando os ovos eram postos, além de escapar dos perigosos pais que guardam os embriões.

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“Isso sugere que as pessoas que estão em comunidades de caça e coleta têm esse conhecimento realmente íntimo do meio ambiente e podem, portanto, moldá-lo de maneiras que não havíamos imaginado”, afirma Douglass.

A pesquisa foi publicada nesta terça (27) na revista científica PNAS.

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